Bairros

Sambódromo receberá obstáculos móveis

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

A Prefeitura de Bauru considerou que as reuniões populares para realização de manobras de bicicletas, motos e carros no Sambódromo, como mostrou o JC na edição de ontem, além de estarem ocorrendo de forma irregular, caracterizam uso indevido do espaço. Por isso, a Secretaria Municipal de Cultura, responsável pela área, decidiu instalar obstáculos para que carros não possam mais utilizar a pista do local.

“O que pensamos, de imediato, é instalar obstáculos que possam ser colocados para tentar impedir os fatos que vêm acontecendo. No entanto, eles não podem ser fixos para que o espaço possa ser utilizado quando acontecerem atividades. Seria algo como placas de concreto”, explica o secretário municipal de Cultura José Augusto Ribeiro Vinagre, que aponta a medida como uma solução de emergência.

O secretário afirma que os gastos com correntes e cadiados para manter os portões do Sambódromo fechados são altos, e que serão tomadas decisões mais drásticas para evitar a utilização indevida do espaço. “Também já estamos estudando um medida, realizada em conjunto com a Polícia Militar (PM), que já discutimos há algum tempo” revela.

O comandante da Base Sudeste da Polícia Militar (PM), tenente William Carlos Padovini, afirma que o patrulhamento na área será intensificado a partir de hoje. “Vamos efetuar operações para coibir os excessos, já que o local é público e não podemos impedir a entrada da população”, diz o comandante, que relata ter entrado em contato com a polícia de trânsito para discutir quais ações podem ser feitas.

Segundo Vinagre, o município discute uma destinação para o Sambódromo há, pelo menos, sete meses. “Na verdade conversamos, desde março deste ano a respeito de atividades que possam ocupar aquela área”, revela.

“E espero que, até o final de 2006, possamos chegar à alguma conclusão. Provavelmente realizando atividades envolvendo a Secretaria de Esportes, ou outras secretarias, num projeto que tenha utilidade para a comunidade local”, completa.

De acordo com o chefe de Gabinete da Prefeitura, Paulo Sérgio Canalli, existe uma proposta do prefeito Tuga Angerami para que as secretarias de Cultura e Esportes se unam para transformar a área num espaço para atividades sócio-educativas para a população da região. “Pelo que analisamos está fácil para demarcarmos espaços para jogos como vôlei e basquete de rua”, afirma.

Para Canalli, os gastos seriam mínimos, tanto com reforma quanto com mão-de-obra, já que seriam utilizados estagiários da própria prefeitura para fazer o monitoramento de atividades. “A idéia que possamos fazer isso rapidamente, impedindo a utilização do local para outros fins”, completa.

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Música

Uma moradora do residencial Flamboyant, que preferiu manter o nome em sigilo, afirmou ter registrado um boletim de ocorrência, ontem, para demonstrar sua insatisfação com o barulho das manobras no Sambódromo.

“O único horário que tenho para estudar é à noite, mas não consigo. É som de carro derrapando, acelerando, música, buzina, tudo ao mesmo tempo, isso sem contar os palavrões”, diz a mulher que tem uma filha de 1 ano e afirma conviver com o problema há dois meses. “A gente chama a polícia. Mas quando, raramente, eles passam, todos correm. No entanto, quando vão embora os baderneiros retornam”, completa.

Outro morador do residencial afirma existir um abaixo-assinado contra as atividades, com cerca de mil nomes, que será entregue à Câmara Municipal. “Parece um campo de guerra, cada um faz o que quer. Se querem realizar alguma coisa séria, que façam, eu não iria me opor”, afirma.

De acordo com presidente da associação de moradores do Núcleo Geisel e Adjacências, Alan Carlos Ursolino de Paula, nenhuma reclamação da comunidade chegou ao seu conhecimento. “Se alguém quiser organizar, a associação não iria se opor, já que traria mais movimento e opções para um bairro que hoje se encontra esquecido”, afirma.

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