Protegidos no interior dos veículos, até mesmo os motoristas correm riscos no trânsito. Em situação pior encontram-se os pedestres, que não contam com qualquer tipo de defesa contra os perigos das vias públicas da cidade. Ao executar atos corriqueiros, como atravessar uma rua, por exemplo, eles acabam submetidos a situações críticas, nas quais um erro de cálculo pode levar uma pessoa a perder a vida.
A estudante Veridiana Roque Celfer, 18 anos, conhece essa situação de perto. Todos os dias ela tem de cruzar a pé a avenida Nações Unidas, para poder chegar à escola. O local onde ela costuma fazer a travessia é sinalizado com semáforo para pedestres.
Celfer poderia, portanto, caminhar despreocupada, desde que esperasse o sinal ficar verde para ela e vermelho para os carros. As coisas seriam assim em um plano ideal, onde as pessoas obedecessem as regras de trânsito. Em Bauru a realidade é outra.
“Muita gente não respeita o sinal. Se a gente não fica atenta, corre o risco de morrer”, reclama. Ela fala disso por experiência própria. Numa manhã ela e uma amiga quase foram atropeladas em plena faixa de pedestres da avenida.
“Apertamos o botão e ficamos conversando enquanto esperávamos o semáforo ficar verde para nós”, lembra. Ao perceberem o sinal aberto, as duas resolveram atravessar. “A gente estava desatenta e não viu um carro que vinha rasgando a toda velocidade”, recorda. Por sorte as duas ainda não haviam começado a travessia, por isso conseguiram escapar ilesas.
Pessoas que são obrigadas a percorrer diversos quilômetros de ruas conhecem os perigos que o trânsito de Bauru oferece aos pedestres. O vendedor Francisco Carlos Nunes, 49 anos, caminha cerca de 25 quilômetros todos os dias. Para ele, o trecho de travessia mais perigoso existente na cidade é a região da avenida Nações Unidas próxima ao Parque Vitória Régia.
“Os carros passam ali a toda velocidade, se bobear você acaba sendo atropelado”, diz. Outro ponto complicado, na visão dele, é a área próxima ao Bauru Shopping. “Ali é cheio de ‘entradinhas loucas’, sem visibilidade. Quando você menos espera, o carro já está em cima de você”, reclama.