Sérgio Porto morreu em 1968, depois de tornar-se famoso sob o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta. Foi um notável humorista, mas muito cáustico. Como viveu numa época de ditadura militar e severa repressão contra jornalistas e intelectuais, vivia no fio da navalha. Tinha que fazer humor sobre verdades desagradáveis e sobreviver. Se os poderosos de plantão não achassem engraçado, estava perdido.
Assim como os bobos da corte... Seu livro “Febeapa” (leia-se Festival de Besteiras que Assola o País), em boa hora está sendo reeditado.
Uma das histórias verdadeiras contadas no livro mostra como era a censura na época da “redentora”, exercida por burocratas sem nenhum cabedal de cultura.
Um deles proibiu a peça “Um Bonde Chamado Desejo”, do insuspeito Tennessee Williams. Os artistas foram à Brasília protestar no Ministério da Justiça, Fernando Torres à frente, aos gritos de “Viva a liberdade!”
O chefe da Censura reagiu impávido: “Insulto eu não tolero!” Em 1966, em Porto Alegre, o coronel-chefe dos órgãos de Segurança quis prender um tal Feydeau, autor da peça “Com a Pulga Atrás da Orelha”, considerada “ofensiva” às instituições. Georges Feydeau, notável autor francês, havia escrito a peça em 1907 e já morrera em 1921.
Contada por Zarcillo Barbosa