Até a década de 90, quem ia ao Salão do Automóvel em São Paulo via estandes “dominados” exclusivamente por belíssimas mulheres ao lado dos carros para dar informações sobre os modelos. Mas, desde a virada do século, os salões ocorridos na Capital têm perfil cada vez menos “machista”. Prova disso é o notado aumento da presença de auxiliares masculinos nos espaços destinados às montadoras, tendência confirmada na edição deste ano e que se justifica pela crescente participação feminina no mercado automotivo nacional.
“O Salão é, sem dúvida alguma, um espelho de um mercado em que as mulheres têm obtido posição de destaque. Números da General Motors apontam que, apesar de 65% dos carros comercializados pela marca saírem no nome de homens, em 62% desses casos as vendas foram influenciadas diretamente e decisivamente pelas mulheres”, ressaltou Marcos Munhoz, diretor nacional de vendas e marketing da General Motors (GM).
Atenta ao “peso” feminino no mercado, a Volkswagen montou até um espaço exclusivo para elas em seu estande, que foi organizado para dar informações sobre os veículos da marca, exibir as mudanças de produto que foram feitas para atender às consumidoras e que acabaram beneficiando todos os clientes da marca, além de apresentar o “Programa Mulheres”, um time formado por profissionais femininas da Volkswagen que busca considerar cada vez mais a opinião delas nas melhorias dos automóveis da marca. “As mulheres ultrapassaram os homens e já representam 51% dos carros comercializados este ano no País”, frisou Paulo Kakinoff, diretor nacional de marketing da Volkswagen.
Com tamanho “poder” em mãos femininas, fica fácil entender os motivos das monta-doras, como Audi, Citroën, BMW, Land Rover e Volks-wagen, investirem na presença masculina ao lado da feminina nos estandes. “Cada vez mais os carros são pensados às mulheres, que também são responsáveis diretas pela concretização de uma venda”, destacou o universitário Rodolfo Casagrande, responsável no estande da Volkswagen por fornecer informações sobre o Polo Sedan.
Trabalhando pela primeira vez na função, Casagrande revelou quais os cuidados necessários que toma para atender os consumidores, especialmente a “mulherada”. “Ao contrário do que muitos pensam, tem muita mulher que se interessa bastante por dados técnicos, como potência de motor e outros detalhes. Por isso, temos de esclarecer as dúvidas que elas estão buscando solucionar e não ficar forçando explicações que não lhes interessem”, salientou. E acrescentou: “Temos de ter cuidado para dar atenção aos dois, mostrando todos os detalhes possíveis, e não privilegiar só a mulher para não causar ciúmes para o marido.”
Já o atendente Marcílio Batista enfatizou que o crescimento do número de homens nos estandes demonstra o prestígio alcançado pelas mulheres no mercado. “Os números provam isso, pois elas estão mandando cada vez mais na hora de comprar os carros. Estamos perdendo espaço”, brinca.