Auto Mercado

Homens de preto

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

Eles estão sempre lá nos estandes, atentos aos movimentos “suspeitos” dos visitantes. Tradicionalmente, também ostentam uma “cara de mau” para afastar, sem precisar de força física, os mais “folgados” de perto das máquinas que brilham durante o Salão do Automóvel. São os seguranças, que apesar de terem o privilégio de permanecerem “pertinho” das estrelas motorizadas, não têm vida fácil durante o evento.

Isso porque, além de enfrentar uma jornada média de trabalho no Salão de cerca de 12h, eles têm de lidar com a paixão e, principalmente, com a empolgação dos milhares de admiradores de automóveis que, a cada dois anos, lotam e se espremem no Anhembi para “babar” nos carros. “Se você me perguntasse qual é a maior dificuldade que temos, não teria a menor dúvida em responder. São aquelas pessoas que insistem em querer entrar e mexer nos veículos, procedimentos que não podemos deixar porque recebemos ordens expressas para isso. Pode fazer de tudo no carro: tirar foto, olhar, menos mexer”, enfatiza o segurança Ânderson Santos, que na edição deste ano do Salão cuida do estande da Nissan.

Há sete anos na profissão, Santos acrescenta que o cuidado, e o trabalho, são redobrados para os seguranças em estandes com carros diferentes e recheados de lançamentos. “Nesses o alvoroço é sempre maior e dá um suadouro para conter o pessoal, pois enquanto um quer ver o outro já quer ir pondo a mão. É complicado”, ressalta. Nessas horas, nem mesmo o pedido charmoso de mulheres bonitas para entrar nos automóveis, segundo Santos, é capaz de tirar a concentração. “As ordens são para todos”, argumenta. Mas e a fama de “mau” de quem exerce a atividade? Para ele, é injustificada. “Só somos maus na hora que temos de agir”, diz.

Quem segue igual raciocínio é Eliel Santos Menezes, segurança do estande da Land Rover. Para ele, educação e um bom papo são atitudes importantes para conter os ânimos dos visitantes mais exaltados. “Felizmente, nunca precisei apelar para a força física”, destaca. No entanto, ele conta que sempre há freqüentadores dispostos a desafiá-los. “Uns entendem quando pedimos para não se aproximar dos carros, mas outros ignoram e ainda querem nos desafiar. Tem gente que vai atrás de nossos chefes e até dos expositores para reclamar”, revela.

Menezes lembra que há até quem tente roubar acessórios dos carros no Salão, mas ele faz graça com os episódios. “Nunca presenciei isso, mas colegas meus que trabalharam em outras edições do evento me disseram que há quem roube objetos removíveis dos carros, como os nomes e símbolos. O duro é que o cara tira de um Jaguar, Porsche ou Ferrari e depois chega em casa e coloca em um Fusca ou Brasília! Não combina!”, brinca o segurança.

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