Cansados de reivindicar em vão, os moradores do Pousada da Esperança 2, em Bauru, pararam ontem à noite, em protesto, oito circulares que transitam pelo bairro. As cerca de 80 pessoas também interditaram três ruas depois que um ônibus afundou na terra por conta da ruptura de uma tubulação de água.
“A situação é a mesma desde que existe o Pousada. A prefeitura esqueceu daqui. Só lembra para pedir voto. A gente quer asfalto ou que arrumem as ruas (de terra)”, explica Wederson Davi Pereira Pinto, integrante da associação de moradores.
De acordo com ele, o areião constante no bairro prejudica a saúde das crianças e o tráfego de pedestres. “A minha neta tem bronquite. Cada vez que o tempo fica seco, tem que correr para o Pronto-Socorro. A roupa não fica branca nunca”, comenta a dona de casa Maria Terezinha Pereira.
Queda
Segundo ela, um deficiente físico com problema na perda caiu ao caminhar numa das ruas, atualmente intransitáveis. De queixa em queixa, os moradores também criticavam o Departamento de Água e Esgoto (DAE). Ontem, o circular teria afundado num local que havia sido reparado pelo órgão há três semanas.
“Ainda bem que o ônibus estava vazio. Imagine se tivesse mulher com criança no colo?”, observa Pereira Pinto ao observar o circular, que recebeu vários calços para não afundar ainda mais.
“Do jeito que fui passar, cedeu. Tentei dar ré”, lembra o motorista Valdeir de Lima. De acordo com ele, o problema ocorreu antes das 15h. Às 19h20, quando a reportagem chegou, a área estava alagada. Na ocasião, funcionários do DAE calculavam reparar o ramal de água em cerca de duas horas - depois que o veículo fosse retirado do local.
A situação provocou indignação inclusive do motorista de outros circulares também parados. Alguns deles convivem com a precária situação das ruas há quase dez anos. Eles e os cobradores foram impedidos de trabalhar após a interdição da quadra 2 da rua Valdevino Sobreira, de trecho da rua Carlos Raphael Vendramini e da quadra 6 da rua Pedro Barreiro de Figueiredo, onde alguns galhos de árvore foram colocados.
Embora o trânsito tenha permanecido impedido, o cabo da Polícia Militar Ademir Prudente e o soldado Cleber Aguiar Gonçalves ressaltaram o caráter pacífico da manifestação.