Brasília - Os 125,9 milhões de eleitores brasileiros estão convocados a comparecer à sua seção eleitoral hoje para escolher o presidente da República que irá exercer o 50º mandato desde a proclamação da República, em 1889, considerando quatro de Getúlio Vargas, dois de João Goulart (o governo dele foi dividido em duas fases) e dois de Fernando Henrique Cardoso. Das 8h às 17h, 361 mil urnas eletrônicas vão receber os votos para presidente da República e, em dez Estados, para governador.
A expectativa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é que o eleitor vote com mais rapidez e que, portanto, as filas sejam menores que no primeiro turno, quando havia cinco cargos em disputa. Dos 125,9 milhões de cidadãos inscritos no cadastro da Justiça Eleitoral, 10,218 milhões estão desobrigados de comparecer por critério de idade: 7,662 milhões têm mais de 70 anos e 2,556 milhões, 16 ou 17 anos. Outros estão dispensados desse dever porque são analfabetos.
O presidente do TSE, ministro Marco Aurélio de Mello, estima que 90% dos votos estejam apurados até as 22h e 99% até as 23h. O resultado de cada seção será transmitido para uma central de apuração, que repassará para o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que finalmente enviará ao TSE. O custo da preparação e realização dos dois turnos das eleições gerais e da apuração dos resultados está estimado em R$ 600 milhões.
Segundo o TSE, 3 milhões de pessoas irão trabalhar hoje para garantir a realização das eleições, sendo 1,6 milhão de mesários, como no primeiro turno. Os outros são servidores da Justiça Eleitoral, funcionários de empresas contratadas, como Correios, e militares que irão reforçar a segurança em locais de conflito. Irão votar em outro país 86.360 brasileiros que têm residência fixa no exterior. Eles estão distribuídos em 93 países, sendo a maior parte nos Estados Unidos, e votam apenas para presidente da República.
Cerca de 10 milhões de pessoas que moram no Brasil, mas estão fora de seu domicílio eleitoral, não poderão votar e terão de justificar a ausência. O sistema informatizado de votação impede que a pessoa vote fora da seção eleitoral onde está cadastrada.
Candidatos
Luiz Inácio Lula da Silva, 61 anos, tenta um segundo mandato depois de uma gestão marcada por denúncias de corrupção, crescimento modesto e ampliação de programas sociais. O ex-governador de São Paulo, tucano Geraldo Alckmin, 53 anos, enfrentou resistências à sua candidatura dentro de seu partido, usou a ética como principal bandeira de campanha e conseguiu levar a disputa para o segundo turno. Na etapa final, no entanto, passou boa parte do tempo na defensiva.
Pesquisas de intenção de voto dão ampla vantagem a Lula. O petista tinha 24 pontos de dianteira em levantamento do Ibope divulgado na última quinta-feira - batia o tucano por 62% a 38%, considerando os votos válidos. Mantida a diferença na votação deste domingo, Lula repetirá a vantagem obtida em 2002 sobre José Serra, então candidato tucano, vencido na urna por 61,2% a 38,7%.
A alta voltagem do embate entre os dois prosseguiu até o último momento. Ontem Lula apontou “desespero político” de seus adversários e disse que os tucanos encontraram uma “laranja podre” para fazer o “trabalho sujo” na reta final - uma referência ao fato de uma dirigente do PSDB de Pouso Alegre (MG) ter indicado à Polícia Federal testemunha que deu depoimento falso sobre o dossiê Vedoin. Alckmin fez campanha no Rio e disse acreditar em um resultado favorável.