Regional

Região vive dia de marasmo com eleição

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

A eleitora Francine Gimenes, 24 anos, pensou ontem que se repetiria a demora para votar como aconteceu no 1 de outubro, quando da eleição de primeiro turno. Se surpreendeu ao gastar exatos três minutos para votar na EEPG Eliazar Braga, no Centro de Pederneiras a (26 quilômetros de Bauru). No primeiro turno, ela optou por votar no período da tarde porque pela manhã o colégio ficou tomado por filas, como em vários municípios da região.

Ontem, Gimenes poderia ter mudado o ritual de votação e trocado a tarde pela manhã que não encontraria dificuldades. A oficial de justiça Alcione de Melo, que trabalhou para a Justiça Eleitoral, comentou que a movimentação no Braga, ontem, foi maior apenas na abertura do colégio, às 8h. “Ainda assim não foi nem parecida com o primeiro turno”, relembrou Melo.

De frente à praça Tiradentes, em Agudos (a 13 quilômetros de Bauru), a movimentação de eleitores pela manhã era apressada. Dalva Ramirez Marinho, 63 anos, preferiu votar logo nas primeiras horas. “Votei rapidinho para ficar com o dia todinho livre”, explicou. Ela votou na EMEF Coronel Leite, ao lado da praça central.

Não fosse a troca de 15 urnas que apresentaram problemas em dez diferentes municípios, a votação na região teria sido ainda mais rápida.

A calmaria fez o assessor de cartório eleitoral, Dimas Benedito Giudice dizer que filas só na sorveteria. Ele trabalha no Cartório da 26º Zona Eleitoral de Botucatu, cidade com 81.850 eleitores, e que abrange ainda o eleitorado de Itatinga (11.507 eleitores) e Pardinho (3.766). Nem mesmo uma urna defeituosa em Itatinga, na seção 95, instalada na EE professora Danúzia de Santi, causou transtorno.

‘Pit stop’

Quem encontrou alguma demora para votar vivenciou a espera de pit stop de grande prêmio de Fórmula 1. Era chegar, encostar e ir para casa. Pela manhã, na seção 5 da escola Coronel Leite, havia uma pequena aglomeração onde, em média, se revezavam cinco eleitores, mas que não esperavam muito a vez de digitar o voto.

A eleitora Daniela Lopes, 29 anos, disse que nunca havia enfrentado fila para votar em Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru). Porém, no primeiro turno deste ano teve que suportar o congestionamento na porta da seção 1 na EE Virgílio Capoani, colégio ao lado da prefeitura da cidade. A escola possui 15 seções e concentra a maioria dos 40.442 eleitores do municípío. “Achei que fosse mais rápido hoje porque seria votação mais simples do que no primeiro turno”, avaliou.

Descomplicada

Votar no segundo turno foi descomplicado pois no Estado de São Paulo a eleição foi somente para definir o presidente da República, com apenas duas candidaturas. Já no primeiro turno, o grande complicador foi o grande número de eleições. O eleitor teve que escolher deputados estadual e federal, senador, governador e presidente. Ou seja, cinco procedimentos de votação, contra apenas um no pleito de ontem.

A primeira secretária da seção número 42 na EEPG Eliazar Braga, Ana Maria de Lima Souza, comentou que aproximadamente 90% dos 480 eleitores da seção são pessoas idosas, normalmente podendo ter alguma dificuldade no manuseio da urna eletrônica. Ontem, os eleitores da terceira idade da 42º seção do Braga, porém, não encontraram dificuldades. O presidente da seção, Antônio Carlos Reina, explicou que, até às 15h, 323 eleitores já haviam comparecido para votar.

Outro fato que diferenciou a eleição de primeiro turno da do segundo turno foi ambiental. Não havia “santinhos” espalhados ao redor dos locais de votação, sujando as calçadas e ruas. No primeiro turno, o expediente do panfleto largado no chão foi amplamente utilizado pelos cabos eleitorais na busca, talvez, do eleitor desprevenido – que não fez cola para votar em cinco nomes – ou no indeciso.

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Desregulado

Dois casos de venda irregular de bebida alcoólica, em desacordo com a lei, acionaram as policias de Pederneiras e Lençóis Paulista. Por volta das 10h, um comerciante foi flagrado vendendo cerveja no balcão de seu bar, no bairro Planalto 1, em Pederneiras (26 quilômetros de Bauru). Ele foi conduzido ao Distrito Policial por policiais militares. Segundo informações da PM, ele alegou desconhecer a proibição do comércio de bebida alcoólica.

A mesma infração cometeu um comerciante da Vila Cruzeiro, em Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru). Ele foi flagrado por PMs vendendo cerveja para três clientes. Conforme a polícia, o comerciante e os consumidores foram conduzidos ao DP e dispensados com o compromisso de se apresentarem ao Juizado Especial Criminal.

O secretário da Segurança Pública do Estado de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, assinou resolução (449) que instituiu a “Lei Seca”, estabelecendo a proibição de venda e consumo de bebidas alcoólicas no horário de votação, das 8h às 17h, de ontem.

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