Em seu primeiro pronunciamento como presidente reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva voltou a afirmar ontem à noite que irá procurar todas as forças políticas do País e que espera contar com a “compreensão dos partidos de oposição”.
Acompanhado de ministros e da primeira-dama, Marisa Letícia, Lula disse também que seu futuro governo dará “preferência” aos pobres. “Agora não tem mais adversário. Agora, o adversário são as injustiças sociais”, afirmou. Vestindo uma camiseta branca com a frase “A vitória é do Brasil”, o presidente discursou em um hotel de São Paulo.
“Até dezembro pretendo conversar com todas as forças políticas do País. (...) Não haverá veto a ninguém. Chamarei todo mundo para conversar”, disse. Antes, tentando deixar para trás o clima de acirramento político que dominou a campanha, afirmou: “Não tenho dúvida nenhuma de que poderemos contar com a compreensão dos partidos da oposição”.
A tentativa de aproximação com a oposição já havia sido manifestada na manhã de ontem, logo após votar em uma escola de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. “Eu tenho a Presidência, mas todos brasileiros e brasileiras têm a obrigação de dar a sua contribuição”, disse à noite.
Sobre os próximos quatro anos, evitou anunciar mudanças no ministério, mas anunciou que pretende manter atual política fiscal. “Reivindiquem tudo o que quiserem, daremos apenas aquilo que a responsabilidade permitir.”
O aceno à oposição já tinha sido o tom do discurso do petista após votar, no ABC. Mais uma vez, usou seu método favorito de raciocínio, a metáfora futebolística. “Disputa política sem acirramento não tem sentido. Normalmente, as pessoas parecem que estão numa disputa muito renhida. Mas, terminadas as eleições, terminou. É como terminar um campeonato de futebol. Começa um outro no dia seguinte.”
O presidente reeleito afirmou que quer conversar com todas as forças políticas. Mas, num sinal de que essa disposição terá limites, evitou falar em pacto formal com a oposição. “Eu quero conversar com todos os partidos políticos, da oposição, da situação, com os governadores. Não diria fazer um pacto, porque pacto não depende só de uma pessoa. Diria que nós vamos ter que discutir o Brasil, com muito mais amor, com muito mais compromisso, para os próximos quatro anos.”
Segundo o governador eleito da Bahia, Jaques Wagner, a tendência é o presidente primeiro chamar os governadores e partidos aliados e depois fazer uma reunião geral.
Reformas
Na lista dos assuntos que Lula pretende discutir com governadores, aliados e partidos de oposição estão as reformas política e do Orçamento. O presidente também quer debater um conjunto de medidas para garantir o crescimento de 5%, a partir de 2007, com o leque de partidos que vai integrar a agenda da coalizão, tendo como parceiro preferencial o PMDB.
“Depois das eleições, não tenho dúvida de que o Brasil viverá outro momento, um momento de crescimento econômico, distribuição de renda, um momento em que nós todos, governo e oposição, vamos ter que privilegiar a educação como pilar principal para que o Brasil dê o salto de qualidade que precisa no mundo político, econômico e dos negócios.”
Logo após deixar a 70.ª seção da 296.ª zona eleitoral, na escola estadual "João Firmino Correia de Oliveira", Lula, de cima de um caixote de madeira, fez um pronunciamento à imprensa em que agradeceu ao povo “pelo momento mágico que vive a democracia brasileira”. Ele voltou a agradecer a Deus pelo segundo turno.
“O segundo turno foi uma espécie de momento de magia em que o povo se levantou e resolveu dizer: “Olha, eu estou aqui e quero participar desse processo. Permitiu que as pessoas fossem para a rua em todos os Estados, coisa que não tinha acontecido no primeiro turno.”
O presidente entrou na seção com a primeira-dama e seis aliados o acompanharam à escola: os ministros Luiz Marinho e Matilde Ribeiro, o coordenador de campanha, Marco Aurélio Garcia, o seu chefe-de-gabinete, Gilberto Carvalho, o senador Eduardo Suplicy.
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Volta e descanso
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retorna a Brasília hoje depois de acompanhar a apuração dos votos em São Paulo (SP). Depois da maratona de viagens na campanha pelo segundo turno,
Lula deve tirar alguns dias de descanso nesta semana ao lado de familiares. O destino ainda é mantido sob sigilo pelo Palácio do Planalto, mas especula-se que Lula deve viajar para a Bahia a convite do governador eleito Jaques Wagner (PT), ou para o litoral do Rio.
Hoje, Lula pretende retomar a agenda oficial de presidente da República que ainda não foi divulgada oficialmente pelo Palácio do Planalto. O presidente deve, porém, se encontrar com líderes dos partidos aliados para receber cumprimentos e dar início às conversas sobre a composição do seu novo ministério no segundo mandato.
Os auxiliares mais próximos do presidente revelam, no entanto, que antes de tomar qualquer decisão Lula irá tirar alguns dias para descansar -aproveitando especialmente o feriadão de Finados, na próxima quinta-feira. Os interlocutores revelam que Lula está fisicamente cansado, após o ritmo intenso da campanha no segundo turno, quando mudou a estratégia adotada no primeiro turno e priorizou a campanha de rua.