Tribuna do Leitor

Dia de Finados


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O Dia de Finados é a data em que nós prestamos homenagens aos nossos entes queridos e às pessoas que se destacaram no sentido de tornar a convivência humana mais justa e igualitária. Mesmo não estando mais presentes, esses seres humanos nos inspiram a dignidade, a solidariedade, a benevolência e a eterna luta contra o preconceito, a miséria e a discriminação seguida de autoritarismo.

Hoje estava espiritualmente preparado para falar de pessoas como Giordano Bruno, Joana D’arc, Jesus Cristo, Frei Tito, Spartacus, Zumbi dos Palmares, Sócrates e muito outros seres humanos que deram sua própria vida para defender a verdade e lutar contra a tirania e a opressão. E também de minha mãe e do meu pai, que mesmo sendo filhos de escravos me passaram intuição e coragem à vontade para eu ser o que sou hoje e ter uma caneta que não tem pena e nem perdoa e que mexe com qualquer pessoa.

Mais o destino cruel e traiçoeiro marcou o dia e o lugar. E para felicidade geral da harmônia humana e carnaval ou luto nas profundezas do inferno, morreu no dia errado (o Dia de Finados é pra lembrar dos bons e não das tranqueiras), o presidente que governou a África do Sul no auge do regime do Aphartheid, o ilustríssimo canalha P.W.Botha. Áliás, dizem que aqui faz e aqui paga, no entanto a coisa ruim morreu dormindo e cheio de dólares na poupança. Apelidado de velho crocodilo, o agora defunto resistiu às pressões pela libertação de Nélson Mandela e estima-se que as forças de segurança na época dele na África do Sul, além de humilharem e segregarem os negros, também mataram mais de 2.000 pessoas que militavam contra a tirania racista. Também prenderam mais de 25.000 pessoas sem julgamento, e muito delas foram torturadas.

Que tal atrocidade nunca ocorra mais em nossa humanidade,embora seja necessário citar que a ONU e as grandes potências se não foram coniventes no mínimo fecharam os olhos por muito tempo sobre os acontecimentos do regime racista na África do Sul. Mas toda vigilância é pouca, mesmo porque nessa semana na capital paulista surgiu um monte de pichação contra negros, nordestinos e ciganos (matéria da Folha de São Paulo), e em plena eleição presidencial até em Bauru se percebeu cartazes com uma mão com quatro dedos com a linha de proibição. Ou seja, um claro preconceito contra Lula e os deficientes físicos. Senhoras e senhores, nazistinhas enrustidos há em todos os lugares. Que nesse Dia de Finados todos nós lembremos daqueles momentos inesquecíveis junto com aqueles que já se foram. E quanto ao ex-presidente da África do Sul, que se lasque nas chamas democráticas e imparciais do Grande Satã.

Pedro Valentim

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