Internacional

EUA acusam Síria e Irã de tramar golpe

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Nova York - Os Estados Unidos divulgaram ontem comunicado em que afirmam haver “crescentes evidências” de que a Síria, o Irã e o grupo xiita Hizbollah - patrocinado pelos dois países - planejam derrubar o governo do Líbano. A declaração ocorre em meio a pressões do Hizbollah por mudanças no gabinete libanês, dominado por aliados do Ocidente, e um dia após o chefe do grupo xiita, Hassan Nasrallah, ameaçar transformar o país num “novo Iraque” caso haja uma tentativa de desarmar seus militantes.

De acordo com a Casa Branca, o objetivo da Síria é impedir a formação de um tribunal internacional para julgar os suspeitos pelo assassinato do ex-premiê libanês Rafik Hariri, ocorrido em fevereiro do ano passado e investigado pela ONU. As suspeitas recaem sobre altas autoridades sírias - elas negam qualquer participação no crime. O plano para estabelecer o tribunal foi enviado às autoridades libanesas no último dia 21.

O porta-voz americano Tony Snow afirmou que qualquer tentativa de usar violência ou ameaça contra os líderes do governo libanês seria uma clara violação da soberania do país e das resoluções da ONU que puseram fim à guerra entre Israel e o Hizbollah, em agosto. “Estamos deixando bem claro a todos na região que achamos que não se deve tocar no governo (do premiê Fouad) Siniora e que é preciso deixá-lo fazer seu trabalho” disse o porta-voz a repórteres após a divulgação do comunicado.

A Embaixada da Síria em Washington classificou o comunicado do governo americano de “infundado” e “absurdo”. “O que está acontecendo no Líbano é uma questão de política doméstica”, disse em nota, acrescentando que “a Síria respeita totalmente a soberania do Líbano e não interfere em sua política interna”.

A embaixada afirmou ainda que os Estados Unidos deveriam “parar de instigar os libaneses uns contra os outros e contra outros países”. Pressão política Fortalecido pela percepção de que saiu vitorioso do conflito com Israel e de que seu braço armado é a única força capaz de defender o território libanês, o Hizbollah exige a formação de um governo de “união nacional” em que fique com um terço das vagas.

Isso lhe daria poder de veto sobre as decisões governamentais e permitiria bloquear a aprovação do tribunal - a resolução das Nações Unidas a respeito prevê que ele seja estabelecido em acordo com o governo libanês. Atualmente, o Hizbollah, somado ao grupo aliado Amal, tem cinco dos 24 cargos do gabinete. Nasrallah ameaça organizar manifestações públicas para forçar eleições antecipadas caso a reivindicação do Hizbollah não seja atendida até meados deste mês.

Os EUA temem que a instabilidade política culmine na queda do premiê Siniora. Os americanos acusam ainda a Síria e o Irã de tentarem desestabilizar o governo libanês traficando armas para o Hizbollah pela fronteira síria com o país. Reino Unido Enquanto isso, o Reino Unido enviou um diplomata à Síria para tentar atrair o ditador Bashar Assad para as negociações de paz no Oriente Médio - o país abriga líderes do grupo palestino Hamas.

O assessor de política internacional Nigel Sheinwald foi à Síria nesta semana, numa visita que foi cercada de sigilo. O governo britânico insiste que a visita não significa uma mudança de sua política em relação ao país, cujas relações com os EUA estão congeladas.

Comentários

Comentários