O crescimento do agronegócio exige, cada vez mais, uma evolução na forma de produzir carne e leite. Para tanto, diversos criadores estão investindo em tecnologia para melhorar a área genética, manejos de pastos e nutrição. Neste cenário, a ovinocultura vem ganhando destaque com o uso de novas técnicas de reprodução, como a transferência de embriões em ovelhas.
Esta tecnologia, além da inseminação artificial, é utilizada em ovinos, entre eles, ovelhas, carneiros, cordeiros, que estão reunidos na Exposição Nacional da Raça Santa Inês. A feira, tradicionalmente realizada no Nordeste, chega pela primeira na região Sudeste do País e promete ser uma das grandes atrações da 33.ª Grand Expo Bauru. O evento foi inaugurado ontem e vai até o dia 12, no Recinto Mello Moraes.
Um dos principais benefícios da transferência de embriões é o aumento da produtividade, aponta zootecnista João Paulo Geraigire Mielli, da fazenda Mumbuca, em Alagoas. Ele explica que a transferência de embriões está em expansão e favorece a evolução genética das ovelhas. “Esta técnica é uma forma de melhorar as fêmeas e a inseminação artificial é uma maneira eficaz de se multiplicar os machos”, diz.
Melissa da Fonseca Oliveira, zootecnista da Associação Paulista dos Criadores de Ovinos (Aspaco) e Associação Brasileira da Santa Inês (ABSI) destaca que, enquanto a gestação normal pode gerar um animal por ano, a técnica pode produzir cerca de dez a 12 filhotes. “Quando se faz a coleta de embriões e gera uma superovulação, a ovelha pode gerar muitos filhotes em apenas um ano. Para isto, são usados receptores, as ‘barrigas de aluguel’, para criar o cordeiro”, diz.
De acordo com Melissa, o principal objetivo das criações comerciais de ovinos é a produção da carne de cordeiro, considerada nobre e que tem mais valor no mercado do que a carne da ovelha ou carneiro. “Para garantir maneiras mais eficientes de produção, são utilizados sistemas intensivos de criação, como o confinamento, além de ração à base de grãos.”
Uma dieta à base de grãos e tortas protéicas, combinadas com minerais – entre eles cálcio, fósforo, potássio, enxofre, magnésio, zinco e ferro - e o confinamento para bovinos e ovinos, pode ajudar a encurtar o ciclo de produção e abate dos animais, explica Vitor Coelho, zootecnista da Fanton Nutrição Animal, empresa de prestação de serviços para o setor pecuário. “Hoje em dia, o mercado está cada vez mais exigente e solicita que o pecuarista evolua para conseguir abater o gado mais cedo”, observa. Ele ressalta esta tecnologia como ferramenta para aumentar a produtividade e rentabilidade. “Antigamente, o criador abatia um boi com cinco anos. Hoje ele já é possível abatê-lo com dois anos”, exemplifica.
Além da inseminação artificial e transferência de embriões, a fecundação in vitro (FIV) é outra técnica que está em expansão na área de reprodução de ovinos, ressalta João Paulo. O processo, que já é aplicado em bovinos, ainda não é utilizado nos ovinos expostos no Recinto Mello Moraes, mas está em fase avançada de estudo. “Nesta técnica, são retirados os óvulos da ovelha e feita a fecundação in vitro, que é uma maturação fora do corpo. Em seguida, são implantados os embriões. E o número de embriões colhidos com esta tecnologia é bem maior”, explica.
• Serviço
A 33.ª Grand Expo Bauru vai até dia 12 de novembro, no Recinto Mello Moraes. Entrada franca de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h; e aos sábados, domingos e feriados, das 9h às 13h. A partir destes horários, os ingressos custam a partir de R$ 2,00. Avenida Comendador José da Silva Martha, quadra 36, Jardim Ferraz, Bauru. Outras informações pelo site: www.expobauru.com.br
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RG do boi
A tecnologia também ajuda no controle de qualidade e exportação de bovinos por meio do brinco eletrônico, um sistema de monitoramento controlado pelo número de manejo do animal, explica a técnica agrícola Juliana Fidalgo Gutierrez, da Cert Beef, empresa de rastreabilidade e certificação de gado.
Ela explica que o brinco possui um microship, o qual é colocado na orelha do boi. “É como um RG do boi. Fica mais fácil para o pecuarista que tiver um chip ou leitor de código de barras buscar informações de seu rebanho”, aponta.
Segundo ela, o brinco armazena todas as informações necessárias, tanto em relação ao manejo quanto fiscal, para comprovar se o boi é realmente habilitado para exportação. “A rastreabilidade é uma exigência para exportação, segundo a nova normativa do Governo”, comenta.