São Paulo - Os principais aeroportos do Brasil voltam aos poucos ao movimento normal, ontem. Depois do caos de anteontem, feriado de Finados, cancelamentos de vôos e esperas caíram quase a zero ontem, quando a crise nos aeroportos completou uma semana.
A Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) afirma que a tendência dos feriados prolongados é de movimento fraco nos aeroportos. Não descarta, no entanto, que força-tarefa convocada pela Aeronáutica para restabelecer o tráfego aéreo tenha contribuído para a volta à normalidade nos terminais.
No aeroporto de Congonhas, em São Paulo, a situação era considerada normal, às 12h30. No saguão, o movimento de passageiros era bem inferior ao registrado anteontem. A situação é similar no aeroporto internacional de São Paulo, em Cumbica (Guarulhos). Em Brasília, a Infraero registrou 20 vôos cancelados, entre pousos e decolagens, da 0h às 12h30 - situação considerada normal para uma sexta-feira após um feriado, de acordo com a Infraero.
No aeroporto Tom Jobim, no Rio, um vôo de chegada havia sido cancelado até as 12h30, e três pousos estavam atrasados. Das decolagens, três foram canceladas e uma atrasada. No aeroporto Santos Dumont, também no Rio, três vôos foram cancelados e, às 12h30, não haviam vôos atrasados. Em Belo Horizonte, o aeroporto da Pampulha teve três vôos cancelados nesta manhã. No aeroporto Tancredo Neves, um vôo da tarde foi cancelado.
Força-tarefa
Na manhã de anteontem, a Aeronáutica decidiu adotar como uma medida emergencial a convocação de 149 controladores do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta 1), em Brasília. O não-cumprimento da convocação poderia resultar em punição e prisão. Controladores que trabalharam durante a madrugada não puderam deixar o local.
A Aeronáutica diz que todos foram obrigados a permanecer no Cindacta pela manhã para uma reunião, mas aqueles que não foram convocados estão liberados. A decisão do comando da Força Aérea Brasileira (FAB) foi um aquartelamento, na opinião do fundador da associação dos controladores de vôo e ex-presidente da entidade, Ulisses Fontenele. Para a Aeronáutica, porém, houve só uma convocação. Além da força-tarefa, a Aeronáutica ainda acionou mais 18 militares para reforçar o efetivo.
Negociação
O ministro da Defesa, Waldir Pires, admitiu pela primeira vez anteontem que a União deverá negociar com representantes dos controladores antigas reivindicações como a criação de uma carreira, a concessão de gratificações e a desmilitarização da área. Nesta semana o governo federal anunciou outras medidas para tentar conter a crise.
Entre as ações estão o remanejamento de rotas; a criação de um grupo de profissionais do setor para avaliar as prioridades dos vôos; e a ampliação do horário que encerra as operações do aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo) das 23h para a 1h30. Além disso, medida provisória autoriza a contratação temporária de até 60 controladores de tráfego aéreo civis, que ficarão nos cargos até 31 de dezembro de 2007.