Todo mundo já viveu alguma situação em que o acaso mudou o caminho das coisas. Vidas salvas, amores enlaçados, encontros improváveis: será mesmo que por trás de tudo isso já havia um roteiro?
A vida é um mistério. Desvendamos os mistérios através dos sinais postos pela vida.
Quando menos imaginamos, a vida nos coloca diante de momentos inexplicáveis, momentos esses que chegam a nos deixar sem graça, nos deixam com um ponto de interrogação, sem ao menos compreendermos os sinais.
Momentos como esses cruzaram o meu caminho, junto deles uma pessoa especial, que fez parte de meus dias, namoramos meses atrás.
Final do mês de agosto, manhã de quinta-feira, recebi uma ligação, era para uma entrevista de trabalho. Pela tarde fui ao escritório, aparentemente um lugar qualquer. Peguei o jornal para me distrair enquanto aguardava pela entrevista. Naquele momento chegou um homem, olhei apenas de relance, não cheguei a olhar em seu rosto. Ouvi sua voz, tornei a olhar, pois conhecia aquela voz. Quando os meus olhos cruzaram com os seus, me perguntei o que fazia ali, onde, se tudo desse certo, começaria a trabalhar.
Ele veio em minha direção, nos cumprimentamos, perguntei a ele o que fazia ali, na mesma tarde havia sido contratado pelo escritório. Naquele momento o jornal caiu de minhas mãos, nos abaixamos para pegá-lo, parecia até cena de novela.
Uma voz me chamava para subir para entrevista, rápida e objetiva, começa a trabalhar na semana seguinte. Desci sorrindo, ambos contratados na mesma tarde, no mesmo escritório e moramos em cidades distintas. Rimos muito, pois no mínimo era engraçado e curioso.
Passamos a nos ver todos os dias, do nascer ao pôr-do-sol, inclusive aos finais semana; pois somos do mesmo ciclo de amigos, freqüentamos os mesmos lugares, as mesmas festas, as mesmas baladas com os amigos.
Antes de trabalharmos juntos, os meus sentimentos não estavam mais como antes, pois não estávamos mais junto há alguns meses. Vê-los todos os dias fez renascer em mim aquele sentimento com uma intensidade quase que inexplicável.
“Todo sopro que apaga uma chama reacende o que for para ficar.” Duas semanas se passaram. Mais uma semana se iniciava, logo pela manhã, acabamos de chegar ao trabalho, ouvi sua voz pedindo para que fizessem sua rescisão de contrato, havia sido contratado em outra empresa, era seu último dia de trabalho ali.
Fiquei balançada o dia todo, pois tinha me acostumado a vê-lo todos os dias. No dia seguinte de trabalho, parecia que algo faltava em mim, olhava para os lados e não o via mais... não via seu sorriso, seu olhar apertadinho, e não ouvia sua voz pelos corredores do escritório.
Acabei sendo demitida uma semana depois, mas nem imaginava que a vida nos reservava mais uma surpresa.
Um mês se passou, final de setembro, noite de domingo. Chego em casa, um recado em uma simples folha de caderno. Quando li aquelas linhas me arrepiei dos pés a cabeça, não conseguia entender a razão porque aquilo acontecia – uma nova entrevista de trabalho. Para minha surpresa, onde ele havia sido contratado um mês atrás. Passei pelas entrevistas, pelos exames, fui aprovada para essa nova empresa, mas por motivos pessoais não pude trabalhar naquele local.
Por vezes nos deparamos com estranhas coincidências. O constante encontro com pessoas que queremos evitar e que mais tarde se revelam, de uma maneira ou de outra, importantes para nós. Respostas que tanto procuramos revelaram-se inesperadamente, em palavras escritas por desconhecidos ou em conversas casuais que se repetem, em que uma estranha sensação nos leva a acreditar que nos levará a vitória do jogo... e assim acontece. Parece que há alguém sempre à nossa frente a preparar nossos caminhos, a mostrar-nos a direção certa, a deixar pistas para trás... Por vezes sentimo-nos presos a um destino.
Será que tudo isso é reflexo de nossa necessidade de procurar respostas ou é verdadeiro o mito de que as nossas decisões no passado originam uma cadeia de acontecimentos que nos prendem a um destino?
Sempre estamos muito ocupados em procurar respostas, consideramos respostas coisas importantes para compreendermos o sentido da vida. É mais importante viver plenamente, e deixar que o próprio tempo se encarregue de nos revelar o segredo de nossa existência. Se estamos ocupados demais em encontrar um sentido, não deixamos a natureza atuar, e nos tornamos incapazes de ler os sinais de Deus.
Natália