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Padre é morto a tiros em Moçambique

Por Ricardo Gallo e Vinicius Abbate | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Um padre brasileiro e uma missionária portuguesa foram assassinados ontem de madrugada em Moçambique após uma invasão de um grupo armado a uma missão jesuíta na província de Tete, a 1.570 quilômetros da Capital Maputo. Outras duas pessoas ficaram feridas. A ação ocorreu à 1h30 (19h30 de ontem, horário de Brasília). Com machados, facões e armas, o grupo, estimado em ao menos dez homens, matou o padre Waldyr dos Santos, 69 anos, e a voluntária Idalina Neto Gomes, 30 anos.

Santos morreu com um tiro no peito no quarto em que estava. Gomes foi morta a facadas, uma delas no pescoço. Nada foi roubado. Ambos estavam na missão jesuíta de Fonte Boa, na zona rural de Angónia, distrito de Tete. O padre, fluminense de Nova Friburgo, estava em Moçambique havia dois anos - por tradição dos jesuítas, deve ser enterrado lá. Tido como bom e pacífico por colegas, liderava a missão, um complexo com internato para mil alunos, hospital, casa dos padres e dos voluntários.

A missão promove atividades educacionais e religiosas, especialmente crianças. Segundo o padre brasileiro Carlos Giovanni Salomão, superior imediato de Waldyr dos Santos e responsável pelos jesuítas em Moçambique, o ataque ocorreu só às casas dos padres e dos voluntários, distante 100 metros do restante da missão. Os criminosos aproveitaram a fragilidade do local, que não tem segurança e conta com luz elétrica, por gerador a diesel, apenas até 21h. Estavam, diz Salomão, em quatro grupos de duas a três pessoas.

O padre Waldyr Santos foi o primeiro a ser atacado. Ele estava no andar de cima da casa, um sobrado. Ao ouvir o tiro dado contra ele, os três missionários que dormiam no andar inferior fugiram. Dois conseguiram se esconder. A voluntária Idalina Neto Gomes, a terceira do grupo, tentou correr em direção à frente da casa, mas foi capturada e morta.

No ataque, também se feriu o moçambicano José Araújo de Andrade, 39 anos, que levou um tiro no pé e foi espancado. Ele passa bem. Segundo Salomão, o grupo não levou nada, embora, ao chegar, tenha anunciado assalto, pedido dinheiro e a chave das seis camionetes da missão.

Sétimo caso

Por telefone, de Tete, ele disse à “Folha de S.Paulo” ter sido esse o sétimo, e mais grave, caso de agressão contra entidades religiosas em Moçambique em três meses. “Não é só interesse de vandalismo e roubo. Há por trás uma mentalidade de desestabilizar uma organização que tenta ajudar o país”, disse.

A relação entre os moçambicanos e os jesuítas é boa, segundo ele. O chefe dos jesuítas pediu ajuda à embaixada brasileira em Maputo - hoje, os jesuítas foram retirados da missão. O Itamaraty disse que a embaixada deve tomar providências nos próximos dias junto à polícia local. A reportagem procurou a embaixada de Moçambique no Brasil, mas não obteve retorno.

A direção do colégio jesuíta São Francisco de Sales, em Teresina, onde o padre Waldyr dos Santos havia trabalhado de 1997 ao final de 2002, decretou luto oficial de três dias.

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