Cultura

Ciente comemora 36 anos no sábado

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 4 min

Os embalos deste sábado à noite prometem agitar Bauru. A onda disco dos anos 1970 e 1980 será relembrada com a festa “Dancin´ Days”, no Bauru Tênis Clube (BTC). A comemoração, que é realizada anualmente, irá festejar os 36 anos de fundação do diretório estudantil Ciente, considerado pioneiro na promoção de festas e atrações musicais na cidade.

“Vamos reviver os bons tempos”, destaca o engenheiro civil Veríssimo Barbeiro Filho, que foi presidente do diretório acadêmico nos anos de 1972, 1973 e 1974, e atualmente é um dos organizadores da comemoração anual.

Na verdade, a festa será o encerramento de uma programação de atividades que começam na sexta-feira, dia 10. A partir das 20h, na Associação dos Engenheiros Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag), ocorrerá uma roda de samba, nos moldes daquelas promovidas pelo Ciente no passado. “Como o pessoal está meio enferrujado, vamos fazer esse aquecimento para que no sábado todos estejam tinindo”, afirma Veríssimo.

No sábado, a partir das 11h, será iniciada a plenária anual da Assenag, para discutir as diretrizes da entidade, bem como os problemas enfrentados pela categoria. A reunião também será aproveitada para que seja feita a escolha da nova diretoria da associação, criada em 1999.

Após o término da plenária, os participantes poderão se confraternizar em um almoço descontraído, ao som de MPB ao vivo. No entanto, não é aconselhável que haja exageros, porque às 21h30 começa a festa “Dancin´Days”, que encerrará o ciclo comemorativo e homenageará personalidades da cidade e pessoas que se destacaram durante os anos de funcionamento do diretório acadêmico.

História

O Ciente foi fundado no dia 30 de outubro de 1970, quando houve a fusão dos centros acadêmicos das faculdades de ciências, engenharia e tecnologia, da antiga Fundação Educacional de Bauru, ampliada e transformada em Universidade Estadual Paulista (Unesp) na década de 1980.

De acordo com Veríssimo, a escassez de opções de lazer na cidade e o certo “isolamento” entre as alas feminina e masculina das três faculdades foram o estopim para a criação do diretório-clube. “Nossa primeira intenção era promover a confraternização. Isso deu muito certo, porque conseguimos aproximar os homens, que eram maioria no curso de engenharia e tecnologia, com as mulheres, em grande número nos cursos de ciências”, relembra.

“Além disso, na década de 1970, Bauru era bastante pequena, tinha cerca de 70 mil habitantes. Não existia praticamente nenhuma opção de lazer. Os bauruenses freqüentavam os clubes. Já estudantes, que em sua maioria vinham de outras cidades, tinham apenas o cinema e alguns bares para se divertir”, conta.

De acordo com Veríssimo, a compra de uma TV a cores, em 1970, foi o que alavancou as atividades do Ciente. “A maioria dos estudantes não tinha televisão. Então o lugar virou ponto de encontro para assistir a Copa do Mundo”, lembra o engenheiro.

Ele revela também que os universitários se divertiam com jogos de bilhar, xadrez, tênis de mesa, damas, pebolim e cartas - além de passarem horas discutindo a conjuntura do País, depois de ler as notícias dos jornais e revistas assinados pelo diretório, que ficavam a disposição de todos os estudante interessados em ficar por dentro do noticiário da época.

• Serviço

Festa Dancin´ Days, no sábado, à partir das 21h30, no Bauru Tênis Clube. Convites na Assenag, que fica na rua Dr. Fuas de Mattos Sabino, 1-15, no Jardim América; ou pelos telefones (14) 3224-3206 e 3016-1963.

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Lembranças

O Ciente foi responsável pela vinda a Bauru de diversas personalidades musicais dos anos 1970. Segundo Veríssimo, o órgão promoveu os dois primeiros shows de música da história do Associação Luso Brasileira de Bauru, quando Chico Buarque e MPB4 e Vinícius de Moaraes e Toquinho, se juntaram para realizar espetáculos inesquecíveis.

A passagem dos artistas por Bauru, rendeu histórias marcantes. “Na tarde do show, o Chico, junto com a banda, quis jogar uma pelada. Nós fizemos um catadão e ainda conseguimos ganhar por 5 a 4, se não me engano”, conta Véríssimo, que promoveu uma cervejada para “repor” as energias dos “atletas” após tanto esforço físico. “Já Vinícius fez questão de terminar a noite na Casa da Eny. Não me esqueço da imagem dele com o tradicional copo de uísque na mão e do Toquinho tocando violão a noite toda”, completa.

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