Tribuna do Leitor

Um rio, uma vida


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No dia 30 de outubro de 1983 nascia uma criança, um garoto, filho de Luzia e José Carlos, uma família de baixa renda que, apesar das dificuldades, era uma família feliz. Moravam em um sítio próximo a Tibiriçá. Esses pais souberam educar esse garoto que logo mais se tornaria um homem. Como todo homem, tinha opiniões próprias e tomava suas próprias decisões e assim decidiu vir para Bauru para poder ter mais oportunidades. Chegando aqui começou a trabalhar como vendedor, vendia saco de lixo e assim tirava seu sustento. Por onde passava era querido por todos. Em um churrasco conheceu minha mãe (Andréia) e começaram a namorar; logo em seguida veio morar conosco. Ele era uma pessoa dedicada e sonhava em arrumar um trabalho com registro, mas isso não acontecia.

Como era vendedor, ele viajava para outras cidades e em uma dessas viagens, era quinta-feira, dia 23 de fevereiro de 2006, na cidade de Chavantes, onde passa o rio Paranapanema que corta a cidade, trabalharam o dia inteiro e por volta das 17h30, vindo embora, decidiram parar para dar um mergulho, e por acaso do destino ele pulou no rio, sem nem saber que dali não sairia com vida. Quando ele pulou abriram a comporta e não deu para ele nadar e assim se afogou. Nessa quinta-feira eu estava na escola, quando cheguei, por volta das 23h15, em seguida chegou uma amiga da minha mãe dando a notícia, ainda depois que ela falou não acreditávamos e tínhamos a esperança de encontrá-lo com vida, só que mal sabíamos que naquele momento ele já não estava mais entre nós. As buscas começaram bem cedo e mais à tarde ligaram para dizer que o corpo tinha sido encontrado.

E lá se foi uma pessoa maravilhosa que não media esforços para ajudar aqueles que precisavam, e deixou aqui seus pais, irmãos, uma mulher que o amava muito e nós, eu e minhas 2 irmãs, que o considerávamos como pai. E nessa segunda-feira ele estaria fazendo 23 anos.

Lidiane Cristina Maciel - RG 47.176.276-3

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