Washington - Num país onde o voto não é obrigatório e em que os candidatos penam para convencer o eleitor a sair de casa, as dezenas de referendos sobre temas polêmicos realizados ontem paralelamente às eleições legislativas e estaduais são uma força de mobilização poderosa que pode ter definido com quem fica o controle do Congresso. Em Estados onde ocorreram as disputas mais acirradas, candidatos usaram os temas das consultas para incentivar o eleitor a votar.
A pesquisa com células-tronco, por exemplo, tornou-se o assunto-chave no Estado de Missouri depois que o ator Michael J. Fox, que sofre de mal de Parkinson, estrelou peças de campanha da democrata Clair McCaskill ao Senado. Seu rival, Jim Talent, convocou atletas e outros atores para uma “contra-campanha’’ sobre o tema. Já a proibição ao casamento gay esteve em questão em oito Estados, mobilizando o eleitorado conservador.
Do mesmo modo, outros três Estados definiriam restrições ao aborto - em um deles, Dakota do Sul, o foco foi uma lei que proíbe todas as formas de aborto, o que gerou um debate nacional. Foram pelo menos 81 referendos em mais de 20 Estados, segundo o diário “The New York Times”.
Os temas variaram da taxação do tabaco (maior ou menor, dependendo do caso) ao direito de propriedade, passando pela fixação do salário mínimo. Em editorial publicado ontem, o “NYT” criticou a profusão de consultas populares, citando algumas iniciativas bizarras.
No Arizona, por exemplo, os eleitores tiveram de decidir se apóiam a idéia de que o Estado sorteie US$ 1 milhão a um eleitor sortudo para incentivar o comparecimento às urnas. “O que aconteceu em Oklahoma para impelir a proposta de parar de pagar o salário de parlamentares que estejam cumprindo pena de prisão?”, questionou. “Coitado do pobre eleitor que terá de cruzar uma lista de propostas às vezes contraditórias, às vezes enganosas, fazendo o trabalho que deveria ser responsabilidade dos funcionários eleitos”, criticou o jornal.