Brasília - Os parlamentares do PSDB e PFL, esperados para endurecerem as perguntas contra o ex-ministro da Saúde Humberto Costa (PT) na CPI dos Sanguessugas, esvaziaram o depoimento do ex-ministro nesta manhã. Dos 32 membros do PSDB e do PFL que integram a CPI, entre titulares e suplentes, apenas quatro foram à comissão ouvir o relato de Costa sobre a suposta atuação da máfia das ambulâncias no Ministério da Saúde.
O vice-presidente da CPI, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), fez duras críticas ao esvaziamento da oposição. “Tivemos o teor oposicionista baixo, e isso se refletiu no andamento dos trabalhos. O contraditório se deu em um tom muito baixo. Se não tivemos um grande número de perguntas, a responsabilidade é de quem está fazendo corpo mole”, disse.
O esvaziamento da CPI teria sido provocado por um acordo informal firmado entre parlamentares do governo e da oposição, já que anteontem a comissão ouviu o ex-ministro Barjas Negri (PSDB). Os partidos teriam se unido para evitar constrangimentos aos ex-ministros na comissão. Jungmann, no entanto, evitou especular sobre o “acordão” para beneficiar os ex-ministros. “Eu não tenho motivos para fazer insinuações, mas briga-se tanto por uma CPI que consegue um desempenho prodígio na primeira etapa dos trabalhos, depois se torna palco de disputa acirrada, e agora fica vazia. Será que a preocupação era somente pré-eleitoral?”
Inocência
Ao deixar a CPI, o ex-ministro Humberto Costa reiterou inocência nas denúncias sobre a máfia das ambulâncias. Costa afirmou esperar que o relatório final da comissão aponte sua inocência no episódio. “Quero que se faça Justiça. O meu nome foi usado indevidamente. Fui vítima de uma brutal campanha usada contra mim”, afirmou. Costa criticou a atual sistemática de liberação de verbas e convênios com base nas emendas parlamentares.
O ex-ministro defendeu que o Congresso implante mecanismos capazes de coibir abusos nas emendas. Ele também disse esperar que o governo consiga obter avanços para criar um sistema nacional de auditorias nos ministérios para evitar fraudes como a conduzida pela máfia das ambulâncias. “Nós não vamos conseguir jamais eliminar a corrupção no Estado brasileiro. O que faz a diferença é aprimorarmos o controle”, disse.
No depoimento que durou mais de três horas à CPI, Costa admitiu ter se encontrado com o empresário Luiz Antônio Vedoin, sócio da Planam, em fevereiro de 2003.
O ex-ministro negou, no entanto, ter atuado em favor da empresa para a venda superfaturada de ambulâncias no período em que esteve no comando da pasta - entre janeiro de 2003 e julho de 2005. Costa disse que a Planam cumpriu todas as exigências legais para conseguir firmar convênios com o governo federal para a venda de unidades móveis de saúde.
Felipe
Em um curto depoimento para um plenário vazio na CPI dos Sanguessugas, o ex-ministro da Saúde Saraiva Felipe (PMDB) negou ontem ter participação na máfia das ambulâncias enquanto esteve à frente do ministério. Apenas cinco dos 38 integrantes da comissão acompanharam o depoimento, que durou pouco mais de uma hora. O ex-ministro admitiu que sofreu pressões políticas durante os nove meses em que ficou no ministério para a indicação de cargos e liberação de emendas parlamentares. Alguns pedidos, segundo Felipe, foram “não-republicanos” e impossíveis de serem concedidos. “Eu não deixaria que, nesses nove meses, eu fraquejasse”, disse.
Apesar de admitir a pressão política na pasta, o ex-ministro disse que em nenhum momento foi procurado pelos empresários Luiz Antônio e Darci Vedoin para convênios superfaturados, ou mesmo por parlamentares em busca de emendas para a compra superfaturada de ambulâncias. Saraiva admitiu, no entanto, que podem ter ocorrido irregularidades diante da “complexidade” que envolve o Ministério da Saúde. utivo, e não a mim”, disse.
As explicações apresentadas pelo ex-ministro convenceram o relator da CPI e colega de partido de Felipe, senador Amir Lando (PMDB-RO). “Para mim era dispensável ele ter vindo. Quando votamos o primeiro relatório, ficou comprovada a sua inocência. Não vi qualquer informação que impute responsabilidades ao ex-ministro”, disse Lando.
O senador prometeu apresentar o relatório final da CPI até o dia 18 de dezembro.
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Piloto e Valdebran
São Paulo - O piloto Tito Lívio da Silva confirmou ontem, em depoimento à Polícia Federal (PF) em Campo Grande (MS), ter sido procurado por Valdebran Padilha, filiado ao PT do Mato Grosso, para supostamente transportar de São Paulo a Cuiabá (MT) parte do dinheiro que seria usado na compra de um dossiê pelo PT contra políticos tucanos.
A viagem só não se confirmou porque Valdebran e o emissário do PT na transação, Gedimar Passos, foram presos na madrugada de 15 de setembro em São Paulo com R$ 1,75 milhão.
Os depoimentos de Arlindo Barbosa (dono do avião) e Tito Lívio da Silva, no entanto, foram considerados frustrantes para o delegado encarregado do caso, Diógenes Curado. Ele esperava que, além de Valdebran, Barbosa ou Silva dissessem que haviam sido procurados também por um dos demais petistas envolvidos com a negociação: Jorge Lorenzetti, Expedito Veloso, Oswaldo Bargas e Hamilton Lacerda.
Tanto Barbosa quanto Silva afirmaram que o único contato que tiveram no caso foi com Valdebran.
Folhapress