Turismo

Rio Grande de Sul

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

No inverno ou no verão, o Rio Grande do Sul oferece roteiros perfeitos para quem quer se embrenhar por rotas românticas, vinhedos, pampas, pela região das Missões ou simplesmente curtir as visões espetaculares do Guaíba, em Porto Alegre, que ao contrário do que muitos pensam não é um rio, mas sim um estuário, onde cinco rios se encontram para entrar juntos na Lagoa dos Patos.

Cidade que afasta o baixo-astral, Porto Alegre é o centro de convergência de quem vai às terras gaúchas. O “umbigo” riograndense.

De lá, em menos de duas horas atinge-se o Vale dos Vinhedos, o pedaço mais italiano do Brasil; a Região das Hortênsias, a Rota Romântica, Novo Hamburgo, Igrejinha e Três Coroas, onde funcionam as principais fábricas de calçados femininos do País, e o litoral que tem Torres, com suas falésias, como destaque.

Porto Alegre oferece sugestões legais de passeios, a começar pelo pôr-do-sol no “rio” Guaíba (não adianta, é assim que todos o chamam), que pode ser presenciado bem longe dele, do Morro de Santa Teresa (os habitantes o chamam de Morro da Televisão) ou da cúpula da Casa de Cultura Mário Quintana, onde funciona o Café Concerto.

Além do inigualável pôr-do-sol que lá de cima adquire uma exuberância especial, com os raios solares pousando nas águas do rio, do mirante da “televisão” avista-se também outro símbolo local: o estádio do Internacional, o time que tem uma rivalidade selvagem com o Grêmio.

Rica culturalmente, a terra de Érico e Luís Fernando Veríssimo é uma metrópole sofisticada, que conta com centro de convenções, infra-estrutura hoteleira de alto nível, shoppings centers e aeroporto internacional. A cidade apresenta vida noturna e excelentes opções gastronômicas.

Grandes parques e uma consciência ecológica fizeram de Porto Alegre uma das metrópoles mais verdes e de melhor qualidade de vida do País. Um lugar para se ficar pelo menos dois dias se familiarizando com o gauchês e admirando a beleza das “gurias”. Capaz! tchê!

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Mateando no aeroporto

Os portoalegrenses preservam um antigo hábito: assistir a decolagem e a aterrisagem de aviões. O Aeroporto Internacional de Porto Alegre é um dos melhores do País, mas até uns seis anos atrás era bem modesto. Em frente ao saguão principal, na grama, famílias inteiras, aos domingos, colocavam suas cadeiras de praia para observar o ligar e o desligar das turbinas. Hoje as famílias se concentram nas lanchonetes e salas de descanso, com todo o conforto, incluindo poltronas reclináveis a 90 graus.

Outra cena comum no aeroporto é a presença do “seu” Teixeira, Luiz Rotilli Teixeira, mais conhecido como o “gaúcho do aeroporto”, que trabalha para uma agência de turismo e gentilmente oferece aos novos visitantes chimarrão: “Bah, tu queres provar o melhor mate destes campos do sul?”.

Agradeça a hospitalidade e lance mão da cuia. Primeiro passo para começar com o pé direito seu roteiro de “barbaridades”.

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Sem ressaca

Os gaúchos garantem que o chimarrão é tiro e queda contra ressaca. Surgiu na Colômbia, em meados do século 16, foi descoberto pelos espanhóis em Assunção, no Paraguai e se tornou popular com os tropeiros que faziam o caminho Rio Grande do Sul-Sorocaba (SP).

A erva-mate, dizem, ajuda também a melhorar as funções cardíacas, a pressão arterial e a circulação sanguínea. Por isso é tomada até mesmo por crianças (piás), que aos domingos vão brincar nas praças e, no aeroporto, acompanhadas de um termo (garrafa térmica) para matear (preparar, cevar) o chima (chimarrão).

Se você não sabe nada da lendária bebida e está indo ao Rio Grande do Sul pela primeira vez, evite sacrilégios na hora de tomar a bebida: a bomba passa de boca em boca e você jamais poderá dizer que o ato é anti-higiênico. Fique calado e beba até o fim. Afinal, o chimarrão funciona como um cachimbo da paz, um grande companheiro psicológico para as rodadas entre amigos. Inclusive para quem acabou de se conhecer. Tu me entende?

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