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Zôo quer pôr animais para adoção

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

A máxima “você é o que você come” também pode funcionar no caso dos animais do Zoológico Municipal de Bauru. Admirado, o vigor do leão tem preço. Só com alimento, são cerca de cinco quilos de carne por dia. Somando as refeições em todos os recintos, são gastos R$ 13 mil por mês. A despesa vai para a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), que recebeu anteontem projeto para reduzir gastos a partir da adoção de animais. A proposta, no entanto, não prevê que o interessado leve para casa um tigre ou um camelo. Se passar pelo Legislativo, empresas ou pessoas físicas terão a chance de contribuir com dinheiro para o Fundo de Alimentação do Zoológico, a ser criado por lei. Para facilitar a captação de recursos junto à iniciativa privada, o projeto prevê o programa de adoção. De acordo com o diretor do zôo, Luiz Pires, se a proposta for aprovada, os animais serão divididos em lotes. Num deles, por exemplo, serão contemplados o tigre, o veado e o sagüi; no outro, o leão, o papagaio e a coruja. Deste modo, os animais mais cobiçados serão tão ajudados quanto outros que não chamam tanto a atenção do público. O custo de cada lote será publicado no Diário Oficial do Município (DOM) e quem manifestar interesse contribuirá com verba, recolhida junto ao Fundo de Alimentação, explica Pires. Ele ressalta que, em caso de vários interessados num mesmo lote, um processo de licitação será iniciado, sendo vitorioso quem oferecer a maior quantia.

Propaganda

Em contrapartida à adoção, a pessoa física ou empresa poderá explorar propaganda na placa de identificação do animal.

“Tem espaço para divulgar o que quiser, menos propaganda de cigarro, bebida alcoólica, mensagem política e religiosa”, informa o diretor do zôo. Segundo ele, a iniciativa, além de desonerar a administração municipal, é mais um passo na tentativa de transformar o Zoológico Municipal de Bauru numa fundação.

“Caminhar pelas próprias pernas é o destino de todo grande zoológico. Os maiores do Brasil, todos eram municipais e se transformaram em fundações. Hoje tem grande capacidade de captação de recursos e investimentos. A gente já começou esse processo há sete anos, com a criação do Fundo de Manutenção”, acrescenta. A partir dele, o zôo começou a desonerar a prefeitura. Com recursos aplicados no fundo, a direção do zoológico faz a manutenção física do parque, compra medicamentos, reforma recintos, conserta equipamentos e máquinas. De acordo com Pires, o Fundo de Manutenção foi pioneiro do Brasil, assim como será o da Alimentação, caso seja aprovado pelos vereadores da cidade. O projeto encaminhado à Semma seguiu ao Departamento Jurídico da administração municipal, de onde será remetido à Câmara. A expectativa da Semma é que ele chegue ao Legislativo ainda neste ano.

R$ 200 mil da Semma

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) contará, no próximo ano, com R$ 350 mil para fazer investimentos e manutenções. No entanto, cerca de R$ 200 mil terão destino certo: alimentação dos animais dos zoológico.

“O resto é o que sobra para fazer na cidade. O zôo acaba sendo sacrificado de certa forma porque não sobra dinheiro, não tem de onde tirar. O gasto total do zôo dá R$ 1,5 milhão, tudo pago com dotação da Semma”, explica o titular da pasta, Carlos Barbieri. Em contrapartida, o Fundo de Manutenção do Zoológico tem saldo positivo de quase R$ 500 mil. “O fundo (de manutenção) não pode pagar (a alimentação) porque não consta na lei e os vereadores votaram contra a lei (que permitiria o investimento)”, informa Barbieri. De acordo com ele, caso o processo seja aprovado no Legislativo e sobre recursos para a pasta, eles serão aplicados em parques e praças. (LLF)

Números

Somando peixes, aves, répteis e mamíferos, o Zoológico Municipal de Bauru conta com cerca de 870 “moradores”, instalados em aproximadamente 130 recintos. Só os treze pingüins comem por dia sete quilos de sardinha. O grupo de babuínos consome sete quilos de frutas e verduras diariamente. Já os psitacídeos (papagaios, araras, periquitos) se alimentam de ração. No entanto, são seis quilos todos os dias. Já o casal de leões consome dez quilos de carne por dia. “Mas carne não é nosso principal problema, gastamos mais com frutas e ração. Há 25 anos o Frigorífico Mondelli colabora”, comenta o diretor do zoológico Luiz Pires. A informação é reiterada pelo gerente executivo do frigorífico, Rubens Vicente, que aposta na viabilidade do projeto. “Essa iniciativa (do programa de adoção) é ótima. Acredito que possa e deva ter muito sucesso porque a nossa cidade tem muitas empresas e a participação da comunidade é grande”, afirma. Porém, de acordo com Vicente, o fato dos colaboradores terem de contribuir em dinheiro poderá limitar a capacidade de investimento das empresas. Na opinião dele, permutas seriam mais viáveis. (LLF)

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