Bagdá - A Al-Qaeda no Iraque ameaçou atacar a Casa Branca em uma gravação de áudio divulgada ontem na Internet. Na fita, o líder do grupo diz que a rede terrorista ainda não derrubou “sangue suficiente” e não parará enquanto não atacar os EUA e retomar Jerusalém. “Nós não descansaremos enquanto não estivermos debaixo das oliveiras de Rumieh e não tivermos destruído aquela casa vil a qual chamam de Casa Branca”, diz uma voz atribuída a Abu Hamza al Muhajir - conhecido como Abu Ayyub al Masri, líder da rede no Iraque. As “oliveiras de Rumieh” seriam uma alusão ao Monte das Oliveiras, em Jerusalém. Na gravação, o líder também qualifica o presidente americano, George W. Bush, de “o presidente mais estúpido da história dos EUA” e faz críticas ao secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, que pediu afastamento do cargo na última quarta-feira.
“Fujão”
Na fita de áudio, a renúncia do secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, é classificada com uma “fuga” do campo de batalha iraquiano. Muhajir, também conhecido como Abu Ayyub al Masri, diz na fita - divulgada ontem na Internet - que a Al-Qaeda tem 21 mil militantes armados e outros 10 mil aguardando para serem equipados para lutar contra as forças dos EUA no Iraque. “Eu digo para o ‘pato’ (governo americano): não se apresse para escapar como fez seu ministro da Defesa... fique no campo de batalha.” Atingido pela derrota dos republicanos na Câmara e no Senado dos EUA, o presidente George W. Bush afirmou que Rumsfeld renunciou porque é preciso “uma nova perspectiva no Iraque”. Bush disse ontem que está aberto a “sugestões” sobre os novos rumos da guerra no país árabe. Ele reafirmou publicamente que a vitória é possível no Iraque. Especula-se que a saída de Rumsfeld, que deverá ser substituído pelo ex-diretor da CIA (agência de inteligência americana) Robert Gates, foi uma estratégia para preparar o caminho para uma retirada gradual das tropas americanas do Iraque. A expectativa nos EUA é que a nova liderança congressista do Partido Democrata, que venceu as eleições legislativas da última terça-feira, exerça maior pressão sobre Bush com relação ao Iraque. O conflito no Iraque foi apontado por especialistas como o principal motivo para o fracasso do partido de Bush nas eleições, ao lado dos repetidos escândalos de corrupção envolvendo legisladores republicanos. No entanto, o presidente disse ainda que é responsabilidade dos EUA dar apoio aos 152 mil soldados americanos no Iraque - uma aparente mensagem aos democratas que defendem o corte dos recursos enviados à missão no país. “Qualquer partido tem a responsabilidade de garantir que as tropas tenham os recursos e o apoio necessário para sua missão no Iraque”, disse Bush.