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Usinas exigem mais mão-de-obra

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

A expansão das usinas de açúcar e álcool na região de Bauru tem exigido cada vez mais uma mão-de-obra que vai além dos trabalhadores rurais. Agora começam a surgir outras necessidades, como de técnico agrícola, engenheiro agrônomo e de gente para a área de manutenção. De preferência, trabalhadores com uma certa experiência no setor.

De acordo com a agência Genesis Recursos Humanos, encontrar esses profissionais no mercado não tem sido nada fácil. A demanda, segundo a agência, está crescendo muito.

Trabalhador com experiência em solda de tanque de inox, bastante utilizado pelas usinas, é outra espécie rara. De acordo com Sílvia Mello Barduzzi, gerente da Barduzzi Recursos Humanos, hoje, em Bauru, é muito difícil encontrar soldador que faça esse tipo de serviço.

A entressafra da cana é a época que eles mais são requisitados. É quando as empresas aproveitam para fazer a manutenção dos tanques. Mas como existem poucos trabalhadores aptos para esse trabalho, eles não conseguem atender todas as usinas.

Entre outras profissões, Sílvia cita ainda as de engenheiro florestal, que interessam às empresas de reflorestamento da região, e de salva-vidas, principalmente na época mais quente do ano. Segundo a gerente, no verão e especialmente na época de férias escolares, muitos clubes procuram salva-vidas para garantir mais segurança aos freqüentadores.

Os anos se passam e a dificuldade de encontrar esse profissional continua a mesma. Segundo explica Sílvia, quem trabalha como salva-vidas tem de ter formação superior em educação física, saber nadar muito bem, conhecer as práticas de salvamento e de primeiros-socorros.

Farmacêuticos, contabilistas e auxiliares de cozinha são outras três profissões apontadas pelas agências de Recursos Humanos como raras. De acordo com Natália Rodeguero Silva, analista da RH Assessoria, neste ano eles tiveram de selecionar cinco farmacêuticos para seus clientes. As contratações foram feitas, mas exigiu bastante empenho.

Da mesma forma, atender os clientes que precisam de contabilistas é uma tarefa árdua, segundo Natália. “São poucos os profissionais disponíveis com conhecimentos sólidos nessa área. Os que existem, estão empregados”, diz ela. Experiência é o que os clientes das agências de RH exige também das auxiliares de cozinha. E isso tem dificultado a contratação.

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Pura verdade

A carência de profissionais na área de manutenção (mecânica e eletricista) é a “mais pura verdade”, segundo o coordenador pedagógico do Senai, Cláudio Francisco Laurente. De acordo com ele, a escola já havia notado essa carência há alguns anos, quando decidiu lançar em janeiro de 2004 o curso técnico em manutenção de sistemas eletromecânicos.

O curso somou a outros dois já existentes: o de mecânico de usinagem e eletricista de manutenção. Enquanto esses dois são voltados a alunos que tenham entre 14 e 18 anos, o curso técnico exige ensino médio completo. Cada um dos três cursos oferecem 32 vagas. A duração é de dois anos.

Antes de concluir o curso, os alunos passam por um estágio supervisionado. Segundo Cláudio, é um período que empresa e aluno estabelecem um “namoro” entre eles que pode resultar em uma futura contratação.

Com a abertura do curso técnico, Cláudio acredita que a médio prazo deverá ser minimizada a carência de mecânicos e eletricistas na cidade.

Na área de programação, o Senac é uma das escolas de Bauru que sempre está oferecendo cursos para criação de páginas na Internet e que ensinam a trabalhar com bancos de dados, que é exatamente o que as empresas estão procurando. No entanto, são poucos os alunos que se aprofundam no assunto.

Segundo a analista de sistemas e professora Suzi Mari Pavani, “dá para contar nos dedos os alunos interessados em aumentar seus conhecimentos na área de programação”. Geralmente, quem faz isso cursou ou está cursando algum outro curso de informática. A maioria dos alunos, segundo a professora, procura a escola apenas para aprender a criar páginas simples na Internet, normalmente para uso próprio. Quase não há interesse em avançar no aprendizado. “As empresas que possuem um porte um pouco maior não querem apenas o básico”, afirma Suzi Mari.

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