Teerã - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou ontem que seu país completará em breve um controverso programa nuclear de enriquecimento de urânio. Em uma entrevista coletiva, Ahmadinejad disse que a sua posição está estabilizada “graças à sabedoria e resistência” do país. “Estou muito otimista e creio que iremos celebrar a completa nuclearização do Irã neste ano”, afirmou.
Pelo calendário ocidental, o ano iraniano terminará no dia 20 de março. O presidente também disse que enviará em breve uma mensagem aos EUA, e que a comunidade internacional está mais disposta a aceitar o programa nuclear iraniano.
“Inicialmente, eles (EUA e seus aliados) ficaram muito nervosos. A razão era clara: eles basicamente queriam monopolizar o poder nuclear para poderem mandar no mundo e impor sua vontade a outros países.” E completou: “hoje, eles finalmente concordaram em conviver com um Irã nuclear, que possui um ciclo de produção de combustível nuclear”.
Impasse
O Irã e as potências ocidentais enfrentam um impasse devido ao programa nuclear de Teerã. Os EUA e seus aliados europeus buscam hoje uma resolução do Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) para impor sanções ao país árabe por sua recusa em suspender o enriquecimento de urânio.
A Rússia, apoiada pela China, já se opôs às ações defendidas pelos EUA, Reino Unido e França, e suas emendas a uma proposta de emenda escrita pelo Ocidente reduziria as sanções e apagaria toda a linguagem que nega ao Irã acesso a tecnologia estrangeira de mísseis. Os EUA alegam que o Irã está desenvolvendo armas nucleares e suspeitam das intenções de Teerã depois que partes do programa nuclear foram escondidas dos inspetores da ONU durante anos.
Ahmadinejad afirma que o programa pretende apenas gerar eletricidade. Urânio com baixo nível de enriquecimento pode ser usado para gerar eletricidade, mas em níveis mais altos é capaz de produzir bombas nucleares. O Irã disse que não abandonará seus direitos com relação à energia nuclear. Oficiais do país disseram que planejam gerar mais de 20 mil megawatts de eletricidade por meio do programa nuclear nas próximas duas décadas.
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Plutônio e urânio
Teerã - Inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) da ONU encontraram no Irã traços de plutônio e de urânio enriquecido, num depósito de lixo nuclear. O país, acusado pelos EUA e por governos europeus de desenvolver ilegalmente um programa de armas atômicas, foi chamado a dar explicações. A informação da AIEA consta de relatório a ser apresentado na próxima semana, num encontro de 35 países.
Segundo a agência, o Irã não colabora com seus inspetores e, por isso, não é possível afirmar que o programa nuclear tem fins exclusivamente pacíficos. “A agência continuará incapaz de progredir em seus esforços para verificar que não há material nuclear não declarado” se não houver cooperação, afirma.
Os inspetores confirmaram que o Irã continua a enriquecer urânio, em desobediência a resolução do Conselho de Segurança da ONU. Tanto o plutônio quanto o urânio enriquecido podem ser usados para a construção de armas nucleares. O Irã insiste que seu programa tem o objetivo de obter energia. A comunidade internacional continua a exigir a suspensão do programa de enriquecimento de urânio do Irã.