Uma das principais distrações do brasileiro é estar conectado na Internet. A procura por sites de relacionamentos, como Orkut, ou salas de bate-papos virtuais, MSN Messenger e chats, tem crescido muito principalmente entre os adolescentes. Eles ficam horas na frente do computador. Sem saber com quem e o que os filhos tanto conversam na Internet, os pais estão preocupados.
São vários os perigos a que esses adolescentes estão sujeitos. Problemas com Orkut, pedófilos online à procura de vítimas, crackers (especialistas em quebrar códigos de segurança), cyberbullying (humilhação de crianças ou adolescentes por meio da Internet), conteúdos inapropriados a menores, plágio pirataria são alguns dos riscos que se corre dentro da rede mundial.
Cientes desses perigos, pais se empenham na difícil tarefa de tentar monitorar o que os filhos fazem na Internet. Para facilitar a “fiscalização” alguns evitam colocar o computador no quarto dos filhos. Outros colocam códigos de segurança para que os filhos tenham acesso à Internet somente com autorização.
“Detetives”
Há quem fique rastreando o caminho percorrido pelos filhos, enquanto estes estavam conectados, com o objetivo de encontrar indícios de coisa errada. Mas, segundo especialistas, apesar desses cuidados, nada dispensa uma boa conversa com os filhos.
“Não vejo outra maneira (de prevenir problemas pela Internet) que não seja conversando com o filho. É melhor do que ficar policiando o tempo todo. Acho que tem de administrar a casa com a autoridade que os pais têm e estabelecer um limite saudável”, prega a psicóloga Maluh Duprat do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
“Não adianta só colocar filtros de conteúdo no computador porque não há filtro que funcione 100%. Por isso, os pais devem assumir a responsabilidade que possuem em proporcionar uma sólida educação de valores”, opina a advogada e consultora em direito das novas tecnologias Carolina de Aguiar Teixeira Mendes.
De acordo com levantamento do Ibope/NetRatings, o brasileiro é campeão em navegação na Internet. Em maio deste ano, o Brasil bateu recorde. O tempo médio de navegação entre usuários domésticos chegou a 20 horas e 25 minutos no mês. O internauta brasileiro passou mais tempo em frente ao computador do que seus colegas franceses (com 18 horas e 45 minutos), japoneses (17 horas e 29 minutos), e americanos (16 horas e 45 minutos), respectivamente, segundo, terceiro e quarto colocados no ranking.
Escala do computador
A cabeleireira Marilene Rodrigues da Silva, 38 anos, tem dois filhos adolescentes em casa: Lucas, de 16 anos, e Gabriel, de 11. Ambos são viciados em bate-papos virtuais, principalmente o mais velho. Para não dar briga, eles próprios definiram os horários em que cada um pode usar o computador. Lucas estuda de manhã. Quando chega em casa, mal termina de almoçar e já está conectado. E lá fica até por volta das 18h, quando chega a vez de Gabriel.
A rotina é quase a mesma todos os dias. Nos finais de semana, a permanência diante do computador aumenta ainda mais. Segundo Marilene, nas madrugadas de sábado e domingo, é comum os meninos ficarem até 5h navegando na Internet, jogando games e conversando, sempre na companhia de outros amigos. “No começo eu proibia, mas agora desisti”, conta a mãe.
De acordo com ela, o pai está sempre conversando com os filhos sobre as armadilhas da Internet e os cuidados que devem ser tomados. Principalmente depois que Lucas se meteu em problemas por causa de conversas em salas de bate-papos. O comentário sobre uma garota provocou ciúmes no namorado dela, o que acabou gerando alguns desentendimentos.