Chego à conclusão de que o fim da campanha eleitoral não pacificou a sociedade civil como pacificou os políticos porque os cidadãos comuns que se interessam por política gostam dos embates que ela gera. Noto isso na internet em geral e, sobretudo, graças à experiência que a criação de um blog vem me propiciando em termos de conhecer melhor a reação da “clientela” do debate político. Creio que o fim da campanha eleitoral depois de mais de um ano e meio em que ela foi sustentada e propagada pela mídia gerou uma sensação de orfandade tanto em simpatizantes do PT quanto nos do PSDB-PFL. Enquanto os políticos se auto-aliviam no Congresso, enquanto o governador eleito de São Paulo, José Serra, voa para longe para não depor na CPI das Sanguessugas e, em troca de não intimá-lo, os governistas conseguem alívio para os depoentes ligados ao governo, enquanto, em suma, a classe política já se concede trégua, nós, os bobões aqui, ficamos brigando por eles. Por que fazemos isso? Porque, se não conseguiu eleger um tucano, a mídia ao menos mantém alta sua audiência com os poucos gatos pingados deste país que lhe dão “Ibope”. Pelo menos a grande imprensa - sobretudo a escrita, que está em processo falimentar no país - mantém o público cativo que adora ver diatribes nos meios de comunicação todos os dias. É preciso produzir droga político-ideológica para a clientela do ódio.
O autor, Eduardo Guimarães, é colaborador de Opinião