Com o fim da novela “O Clone”, muitos brasileiros lotaram academias em busca daqueles movimentos místicos ou pseudo-eróticos da personagem Jade. Mas a dança árabe não é isso, ou não apenas isso, como 210 bailarinos de cinco países mostrarão no Teatro Municipal de Bauru. Trata-se do Festival Internacional de Danças Árabes - Pan-Americano que pela primeira vez será realizado no Brasil nos dias 24 e 25 de novembro, organizado pela Confederação Interamericana de Dança (CIAD).
Ao todo, serão 69 coreografias divididas em 39 categorias de oito modalidades árabes com a participação de dançarinos de 7 a 65 anos do Brasil, da Argentina, do México, do Uruguai e da Venezuela. Todos foram pré-selecionados por membros da CIAD, que reúne representantes do Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai, Uruguai, Chile, Equador, Venezuela, Peru, México e Canadá.
Do Brasil vão concorrer bailarinos dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Mato Grosso do Sul. De Bauru, não houve selecionados. Os prêmios serão troféus exclusivamente confeccionados pela artista plástica bauruense Carla Mota.
O Brasil já sediou eventos da confederação, mas nunca exclusivamente árabe e com um nível técnico como Bauru terá. “Como houve seletivas nacionais, o nível técnico do que será mostrado em Bauru será elevadíssimo”, cita a professora, bailarina e coreógrafa bauruense Márcia Nuriah.
Presidente da Academia de Dança de Bauru e Região (Adab), Nuriah também é uma das delegadas da CIAD, o que, de certa forma, facilitou a vinda do festival para a cidade. “Há muitos anos luto pelo fortalecimento da dança árabe na confederação e em Bauru com o já tradicional Festival Internacional de Danças Árabes, promovido há oito anos na cidade”, explica a bailarina.
Além de fazer o seu show, esses renomados bailarinos poderão trocar experiências com outros artistas que vão se apresentar durante a mostra não competitiva de danças árabes, realizada paralelamente ao Pan. “Como sou de Bauru, não poderia deixar de oferecer essa oportunidade aos bailarinos que estão começando seu trabalho e ainda não têm recursos para divulgá-lo”, diz Nuriah.
Com esse objetivo, cinco grupos de Bauru e dez de cidades da região subirão ao palco do Municipal para mostrar 24 coreografias. “É uma chance tanto para os bailarinos dos grandes centros e de outros países conhecerem a dança do Interior, como para os daqui aprenderem com eles”, cita a bailarina. O evento também receberá representantes do Ministério da Cultura (MinC) para esclarecer sobre formas de captação de recursos para projetos culturais.
• Serviço
Festival Internacional de Danças Árabes - Pan-americano será realizado nos dias 24 e 25 de novembro no Teatro Municipal (avenida Nações Unidas, 8-9). Mais informações: (14) 3235-1072.
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Lei Rouanet
Quarenta e cinco mil reais. Este foi o valor estimado pela coreógrafa e bailarina Márcia Nuriah para a realização do Festival Internacional de Danças Árabes - Panamericano, em Bauru. Em função dos problemas orçamentários pelos quais passa a Secretaria Municipal de Cultura (SMC), Nuriah buscou o Ministério da Cultura (MinC) e foi contemplada com a Lei Federal de Incentivo Cultural, a Lei Rouanet.
Com a aprovação do projeto, a coreógrafa conseguiu arrecadar quase 20% do previsto, num valor aproximado de R$ 9 mil. “Tive que fazer algumas adaptações no orçamento. Cortei cenografia, alguns materiais de divulgação e contratações de mão-de-obra. Mas, como sabia que não conseguiria todo o dinheiro, esses cortes já estavam previstos”, diz.
A maior colaboradora foi a empresa Plasútil, responsável por 75% das doações. O restante da verba foi conseguido graças aos recursos da Disbauto, Baterias Tudor, Nelson Paschoalotto e Tilibra. “A maior dificuldade em obter a verba foi a falta de conhecimento das empresas do que é a Lei Rouanet. Muitos empresários não sabiam que a verba seria gasta de qualquer forma com o pagamento do Imposto de Renda”, explica Nuriah.
Por meio da Lei Rouanet, pessoas físicas e jurídicas que declaram o Imposto de Renda em formulário completo podem destinar parte do imposto para a execução de projetos culturais. Dessa forma, o valor pago retorna em benefício para a comunidade.