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Lula pede a PT que não crie problemas

Por Andreza Matais e Gabriela Guerreiro | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Brasília - No primeiro encontro com dirigentes do PT depois da reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um pedido claro para que o partido não crie problemas no seu segundo mandato -o que inclui evitar cobranças públicas sobre cargos para o próximo governo. O presidente ressaltou que muitos dos problemas enfrentados nos últimos quatro anos foram criados por petistas que se envolveram em denúncias de corrupção ou externaram críticas ao governo federal, sobretudo à política econômica.

“O presidente pediu para que a gente fortaleça, cuide do partido, e evite os problemas que existiram. Não queremos que (o encontro de ontem) seja caracterizado como cobrança por cargos”, disse a 2.ª vice-presidente do PT, deputada Maria do Rosário (RS). Em contrapartida, os dirigentes do PT cobraram do presidente maior diálogo com o partido nos próximos anos.

Segundo a líder do partido no Senado, Ideli Salvatti (SC), Lula admitiu que errou na articulação política nos últimos quatro anos e está disposto a dialogar pessoalmente, com maior freqüência, com o PT. “Ele mesmo reconheceu que dedicou pouco tempo às questões de articulações políticas. Ele vai fazer isso pessoalmente, sem deixar para ligar quando estamos na emergência ou na crise”, disse.

Tarso deve seguir no cargo Apesar de demonstrar disposição para o diálogo pessoal com o PT, Lula designou o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) para fazer a ponte entre ele e a bancada. Ao indicar Genro, o presidente sinalizou que o ministro vai continuar no cargo no segundo mandato. A recomendação do presidente para que o PT não crie problemas no seu segundo mandato foi uma resposta às cobranças dos petistas por mais cargos na Esplanada dos Ministérios.

Os dirigentes presentes no encontro disseram que o partido não pode ser diminuído em nome da coalizão porque saiu das urnas fortalecido, com o maior número de votos em legenda para a Câmara Federal. Os petistas também avisaram ao presidente que não abrem mão de disputar a Presidência da Câmara. “A bancada do PT vai buscar reivindicar a Presidência da Câmara. É claro que vamos dialogar com o PT e o PC do B, mas o PT acha que é justo que venha reivindicar (a vaga)”, disse Maria do Rosário.

Também participaram da reunião, os ministros Tarso Genro (Relações Institucionais) e Luiz Dulci (Secretaria Geral), o terceiro vice-presidente do PT, Jilmar Tatto, secretário-geral interino do PT, Joaquim Soriano, entre outros.

Aliados

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai usar a próxima semana para realizar conversas institucionais com os partidos aliados que vão compor o seu segundo governo. Depois das reclamações públicas dos presidentes do PMDB, Michel Temer (SP), e do PC do B, Renato Rabelo, de que ainda não foram chamados para dialogar, Lula decidiu formalizar o encontro com as legendas.

Ideli Salvatti (SC), líder do PT no Senado -que esta manhã se reuniu com o presidente ao lado da comissão política do partido- disse que Lula pretende conversar sobre o espaço em seu novo governo com cada uma das legendas. “O presidente disse que vai priorizar na semana que vem as conversas com os partidos que têm possibilidade de integrar o governo, como o PMDB e o PTB, que já deu sinais de apoio”, disse a líder.

Joaquim Soriano, secretário-geral do PT, afirmou que Lula não está disposto a dialogar com o presidente do PTB, Roberto Jefferson (RJ), mas com outros interlocutores do partido. “Com relação a este senhor, nenhum militante do PT terá com ele um diálogo promissor”, disse. Cargos Os petistas afinaram o discurso para não revelar as cobranças que fizeram para o presidente Lula no encontro desta tarde sobre a participação do partido no próximo governo.

Para evitar que o encontro fosse caracterizado pela cobrança de cargos e distanciar a pecha de “partido da boquinha” - como denominou o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho - os petistas adotaram o mesmo discurso de que o diálogo com Lula não abordou cargos. “A discussão não é espaço, isso é arquitetura. Nós tratamos sobre política”, disse Soriano. Já a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), afirmou que ninguém abordou o tema “ministérios”, já que essa é decisão que deve ser tomada unilateralmente pelo presidente Lula. Para a 2.ª vice-presidente do PT, deputada Maria do Rosário (RS), o partido não está preocupado com a possível redução no número de ministérios sob o seu comando porque não acredita nesta hipótese.

“É claro que o PT quer ter o tamanho da sua presença no próximo governo. O partido saiu das urnas como a legenda mais votada para a Câmara, tem uma bancada muito significativa. Não queremos avaliar a possibilidade de diminuição do PT porque isso não vai ocorrer”, afirmou Rosário.

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