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Mercado paga menos a negros e pardos

Por Clarice Spitz | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Rio - Pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que um abismo ainda separa negros e brancos no mercado de trabalho brasileiro. Os profissionais negros e pardos ganham em média 51,1% do rendimento dos trabalhadores brancos - ou seja, pouco mais da metade. Enquanto negros e pardos recebiam em setembro R$ 660,45 na média das seis principais regiões metropolitanas do país, os brancos tinham um salário médio de R$ 1.292,19.

Na indústria, um trabalhador branco chega a receber 96,6% mais que negros e pardos. Na construção civil, onde os negros e pardos são maioria, os brancos recebem salários 105,6% superiores. A disparidade salarial cresce ainda entre os mais escolarizados. Enquanto que os negros e pardos com ensino médio alcançavam um acréscimo de 62% nos rendimentos na comparação com os trabalhadores da mesma cor com oito a dez anos de estudo, os brancos em mesma condição recebiam duas vezes e meia mais.

Na análise por faixa de salário, a pesquisa constatou que 58,9% das pessoas que recebiam até um salário mínimo eram negros e pardos. Por outro lado, eles representavam apenas 15,3% dos que ganhavam mais que cinco salários mínimos. A desigualdade se reflete também no fato de que negros e pardos ocupam postos pior remunerados.

Segundo a pesquisa, 55,4% das pessoas ocupadas na construção civil eram negros ou pardos. Eles representavam ainda 57,8% dos ocupados nos serviços domésticos. Já os brancos são maioria entre os trabalhadores com carteira assinada. Eles representam 59,7% do total desses trabalhadores, ante 39,8% de negros e pardos. O grupamento com a menor participação de negros e pardos foi o de Serviços Prestados à Empresas e Intermediação Financeira, Atividades Imobiliárias, com 34,6%.

Escolaridade

Segundo o IBGE, os negros e pardos têm em média 7,1 anos de estudo. Para os brancos, essa média é de 8,7 anos. No ensino superior, enquanto 8,2% dos negros e pardos que tinham acima de 18 anos freqüentavam ou já freqüentaram algum curso, para os brancos esse percentual saltava para 25,5%. Ainda em relação à educação, verificou-se que 20,1% dos negros e pardos, com 10 anos ou mais de idade, tinham algum curso de qualificação profissional, enquanto na população branca a variação percentual subia para 25,3%.

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Maioria dos desempregados

Rio - Embora os negros e pardos representem 42,8% da população em idade ativa (com 10 anos ou mais de idade), eles correspondem a 50,8% dos desempregados de todo o País. A conclusão faz parte da pesquisa sobre Mercado de Trabalho Segundo a Cor ou Raça, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no mês de setembro nas seis principais regiões metropolitanas do País.

A pesquisa mostra que a taxa de desemprego de negros e pardos era superior a de brancos. Enquanto que negros e pardos tinham uma taxa de 11,8%, para os brancos o desemprego era de 8,6%. Em termos regionais, tanto em locais compostos predominantemente por negros e pardos, como Salvador e Recife, como em regiões predominantemente brancas, como Porto Alegre e São Paulo, a participação dos negros e pardos era relativamente maior entre os desempregados do que o observado na distribuição por cor ou raça dos ocupados e dos inativos.

A região metropolitana de Salvador onde há a maior proporção de negros e pardos entre as seis regiões (82,1%), também tem a maior taxa de desocupação. Ao todo, 89,1% dos desempregados são de negros ou pardos na capital baiana. As regiões metropolitanas do Rio de Janeiro (55,2% de brancos) e Belo Horizonte (56,4% de negros e pardos) apresentaram as menores distâncias entre as participações de negros e pardos e brancos no total da população em idade ativa.

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