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Sistema nervoso é primeira vítima

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a primeira parte do corpo que é afetada pelo consumo excessivo e prolongado do álcool não é o fígado, mas o sistema nervoso.

A informação é da médica e professora Florence Kerr-Corrêa, do Departamento de Neurologia e Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu. “As pessoas sempre pensam que é o fígado, mas o sistema nervoso é o primeiro a ser afetado”, revela.

Em doses maiores, o álcool é tóxico para qualquer órgão do corpo humano. A substância é capaz de alterar o raciocínio e a memória da pessoa. Além disso, danifica a parte nervosa do coração e faz ele aumentar de tamanho. Segundo Florence, essas complicações são a segunda causa de morte cardíaca. A primeira é a obstrução da artéria.

Depois do sistema nervoso e do coração, o álcool afeta o fígado, pâncreas, estômago e pulmão, entre outros órgãos. “A gente nunca sabe quem vai ter o que. Tem gente que bebe muito e não tem cirrose, mas apresenta alteração de memória. Outros ficam impotentes (sexualmente). Outros com pancreatite (inflamação do pâncreas)”, diz a médica.

Durante a gravidez, o álcool pode causar sérias deficiências físicas ou mentais no feto. Por isso, os médicos recomendam abstinência total de bebida alcoólica na gestação. Segundo Florence, a proibição é ainda mais rígida nos três primeiros meses, quando está em formação o sistema nervoso central do bebê.

Se a recomendação não for seguida, corre-se o risco da criança apresentar no futuro desde dificuldade de aprendizado até problemas para ganhar peso.

Propaganda

O psiquiatra Sérgio Yutaka Sato, também especialista em dependência química, luta há um ano e meio contra a propaganda de cerveja na TV. Segundo ele, a divulgação de bebida alcoólica tem como objetivo formar novas gerações de bebedores e, possivelmente, novos alcoólatras.

Ele lembra que está parado no Senado uma emenda que proíbe esse tipo de propaganda na TV. Além do apelo comercial, Sato destaca ainda o baixo preço da bebida e a facilidade com que ela é encontrada. Ou seja, em qualquer lugar que a pessoa vá, sempre há cerveja para vender.

Ele aponta também a relação que os comerciais sempre fazem entre bebida e gente bonita e saudável como uma armadilha. Isso, na opinião dele, estimula o consumo, principalmente entre os jovens e adolescentes. De acordo com o psiquiatra, o álcool age na área do cérebro responsável pela sensação de prazer.

Além do sentimento de euforia provocado pela bebida, muitos jovens bebem devido às pressões sociais. Ou seja, se ele estiver numa roda de amigos e não beber junto, é considerado careta ou algo do gênero pela turma. As conseqüências disso costumam ser trágicas.

“Se formos a uma clínica de politraumatismo, vamos ver que pelo menos 60% dos exames de teor alcoólico dão positivo”, ressalta Sato. Os resultados vão de acidentes de trânsito a gravidez indesejada pela falta de uso de preservativos.

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