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Coquetel garante qualidade de vida

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Este ano completam-se 25 anos do primeiro diagnóstico do vírus da síndrome de imunodeficiência adquirida (aids) como doença específica. Em Bauru, o primeiro caso foi registrado em 1982, portanto, um ano depois da aids se tornar conhecida no mundo.

Com a evolução do tratamento, o surgimento de remédios como o AZT e a distribuição do coquetel anti-retroviral (anti-aids), os portadores do vírus ganharam qualidade de vida. Em Bauru, existem 832 pessoas em tratamento à base do coquetel no Centro de Referência em HIV/Aids. Desse total, 30 são crianças.

As drogas anti-retrovirais conseguiram transformar a aids, antes uma sentença de morte, em moléstia crônica. De acordo com a coordenadora do programa municipal de DST/Aids, Eliane Monteiro, todos os pacientes que necessitam do coquetel anti-aids são atendidos gratuitamente. O coquetel é um conjunto de medicamentos que, combinados, bloqueia o desenvolvimento do vírus HIV no organismo.

Ele ajuda os portadores do vírus a viver melhor. Mas, segundo os médicos, não representa a cura. A melhor forma de combater a aids continua sendo a prevenção. O coquetel anti-retroviral começou a ser distribuído no Brasil em 1996.

No início, o tratamento era complexo. Os doentes eram obrigados a tomar cerca de 20 comprimidos por dia, em horários alternados. Isso causava transtornos às vezes difíceis de contornar. A preocupação em facilitar a vida desses pacientes tem feito diminuir cada vez mais o número de comprimidos diários.

Cíntia, 33 anos, por exemplo, toma quatro comprimidos por dia para controlar a doença. O mesmo é feito por Elaine, 34 anos, e por Altemir Pereira Braga, 37 anos (só este último aceitou divulgar o nome completo). Cíntia conta que até o médico descobrir a quais os medicamentos ela se adaptava bem, teve de passar por algumas experiências amargas, como pesadelos e disenteria. Os efeitos colaterais são comuns, mas não obrigatórios. Braga, por exemplo, diz nunca ter sentido nenhuma reação negativa aos medicamentos do coquetel.

Tratamento contínuo

Segundo o médico infectologista Marcelo Pesce Gomes da Costa, o coquetel é indicado sempre que há uma queda da resistência imunológica do organismo. É nesse momento que qualquer infecção pode ser fatal para o paciente. Por isso, é importante que o portador do vírus nunca suspenda o tratamento. Os medicamentos impedem que o HIV se espalhe pelo corpo deixando-o cada vez mais fraco e indefeso contra as doenças, mesmo as mais simples, como uma gripe.

Os efeitos colaterais desses medicamentos, segundo o médico, têm diminuído significativamente. Segundo ele, isso se deve à grande quantidade de drogas disponíveis (são cerca de 15). Essa variedade possibilita trocas até encontrar o medicamento que melhor se adapta ao paciente.

Mas os médicos fazem uma advertência: para que o tratamento funcione, é preciso muita disciplina. “É melhor não tomar o coquetel do que tomar errado”, afirma o também médico infectologista Fernando Monti.

Segundo ele, se o paciente deixar de tomar os remédios um dia ou tomar uma quantidade menor do que a indicada, o organismo ficará com uma quantidade de medicamento insuficiente para controlar a doença, mas suficiente para criar vírus mais resistentes. “A partir daí, o medicamento não funciona mais, e terá de ser trocado”, alerta.

Monti diz que a afirmação de que hoje não se morre mais por causa da aids é verdadeira, desde que não haja falha no tratamento. E isso inclui necessariamente uma rigorosa disciplina na hora de tomar a medicação.

Outra verdade é que filho de pais portadores do HIV não nascem necessariamente com o vírus. Desde 2002, a Secretaria Municipal de Saúde registrou o nascimento de apenas uma criança com aids. No ano passado, por exemplo, 16 mulheres portadoras do HIV deram à luz e todos os bebês nasceram sem o vírus.

“Isso mostra que o pré-natal está funcionando”, comemora a coordenadora do programa municipal de DST/Aids, Eliane Monteiro. Assim que o problema é detectado na mãe, inicia-se um tratamento para evitar que a criança seja afetada pelo vírus.

Mesmo que a mãe não faça acompanhamento pré-natal, no momento do parto é feito exame e, caso seja positivo, o tratamento da criança e da mãe começa imediatamente.

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