“Vamos entrar em colapso”. A frase é do coordenador da Defesa Civil em Bauru, Álvaro de Brito. Nem bem começou o período de chuvas e o órgão se encontra sem comunicação, sem transporte e trabalhando com apenas 25% do material necessário para atender as demandas causadas por temporais.
Ontem à tarde, quando o vento chegou quase a 60 quilômetros por hora, segundo dados do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), Brito teve que percorrer as ruas da cidade com seu próprio carro e sem telefone celular, tentando chegar aos pontos críticos por pura intuição.
“A fatura das ligações do celular foi enviada pela Internet. É um tipo de pagamento não realizado pela prefeitura. Por isso foi enviado um novo boleto que deverá ser pago na sexta-feira. Até lá, estou sem comunicação”, lamenta Brito. O órgão também trabalha sem motorista. “Já enviei um ofício à prefeitura pedindo um motorista e mais materiais de emergência. Vamos ver se alguém se sensibiliza”, espera o coordenador.
De acordo com ele, a Defesa Civil já passou por necessidades, mas nunca a situação esteve tão crítica. “Se continuar assim, não teremos condições de atender as pessoas. Isso porque estamos apenas no começo das chuvas, a tendência é piorar, ainda mais com o El Niño”, afirma.
Mesmo enfrentando todas as dificuldades, a Defesa Civil atendeu, na tarde de ontem, quatro moradores do Parque Jaraguá que tiveram bens destruídos por conta do destelhamento da casa onde moram. Eles receberam colchonetes e foram encaminhados à casa de um vizinho.
O Corpo de Bombeiros também registrou ocorrências de quedas de árvores em diversos bairros de Bauru. Na Vila Dutra e Nova Esperança, dois carros foram atingidos, mas não houve vítimas. Os pontos da cidade com mais incidência de ocorrências foram Jardim Prudente, Vila Pacífico e Bauru 16. Na Pousada da Esperança e Parque Viaduto, algumas ruas ficaram enlameadas, impossibilitando a passagem de veículos.
“Nós só teremos um balanço geral amanhã (hoje). Mas acredito que o Corpo de Bombeiros não dará conta de tudo. Provavelmente a Emdurb (Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru) e a Semma (Secretaria Municipal do Meio Ambiente) também terão que trabalhar na remoção de árvores e limpeza das ruas”, coloca Brito.