Internacional

Tropas no Iraque podem ser ampliadas

Por Sérgio Dávila | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Washington - Os EUA podem aumentar o número de soldados que mantêm no Iraque, hoje em cerca de 141 mil, antes de começarem uma retirada escalonada. Essa é uma das três propostas que estão sendo examinadas pelo Pentágono - e a que encontra maior ressonância na Casa Branca.

A intenção não foi confirmada pelo presidente George W. Bush. “Ainda não tomei nenhuma decisão sobre aumentar ou diminuir as tropas e não vou tomá-la enquanto não ouvir várias fontes, incluindo nossos próprios militares”, disse ele ontem na Indonésia, durante a etapa final da visita de oito dias que fez à Ásia.

Indagado pela reportagem sobre a possibilidade de envio de mais soldados ao Iraque, o porta-voz do Pentágono, Bryan Whitman, disse que o que há por enquanto é apenas a ordem de substituir um terço dos homens em ação naquele país no ano que vem, com o envio de 57 mil novos soldados. O resto, afirmou, é especulação.

De qualquer maneira, ganha força a opção que vem sendo chamado por militares de “moonwalk”, nome tirado da dança que Michael Jackson tornou famosa nos anos 80, em que o músico andava para trás parecendo que ia para a frente. A revelação foi feita por membros do Pentágono ao jornal “The Washington Post”.

Segundo o diário norte-americano, há três opções em discussão pelo grupo de estudos comandando pelo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Peter Pace: “Go Big”, “Go Long”, “Go Home” - ou seja, aumentar as forças por um curto período; manter o atual número de soldados por um período maior; e deixar o Iraque a partir de 2007. É o híbrido entre a primeira e a terceira propostas o que mais eco tem encontrado. Não só nos meios militares. “Sem tropas adicionais para garantir a vitória no Iraque, os EUA estarão mais vulneráveis a um ataque terrorista doméstico”, disse o senador e presidenciável republicano John McCain.

Mais radical foi o general John Abizaid, comandante militar dos EUA no Oriente Médio, que sugeriu que o efetivo na região fosse aumentado em 20 mil homens. No auge da Guerra do Vietnã, em 1968, os EUA tinham 550 mil soldados em ação; 58 mil morreram no conflito, ante 2.836 no Iraque.

No meio do caminho ficou o presidenciável democrata Barack Obama: o senador propôs “uma retirada gradual das tropas norte-americanas”, num prazo entre quatro e seis meses, e a redistribuição das forças restantes para o norte do país e para o Afeganistão.

Especulação

O fato de o novo Congresso, de oposição, tomar posse no dia 3 de janeiro e de haver nesse momento dois grupos de estudos dedicados a apresentar uma proposta ao presidente Bush sobre o conflito - um da Casa Branca, do qual o general Pace faz parte, e outro bipartidário, liderado pelo ex-secretário de Estado James Baker (republicano) e pelo ex-congressista Lee Hamilton (democrata) - dá margem a especulação.

Parte das discussões do primeiro grupo foi vazada pelo jornal; o resultado do segundo só deve ser conhecido no começo de dezembro. Futuros líderes do novo Congresso, no entanto, vieram a público dar sua opinião. Obama e McCain foram as faces mais reconhecíveis, mas muitos contribuíram para a cacofonia atual. Houve até quem sugerisse a volta do serviço militar obrigatório, suspenso nos EUA desde 1973. “Não tenho dúvida de que esse governo não teria invadido o Iraque se o recrutamento de maiores de 18 anos fosse obrigatório”, disse o representante (deputado federal) democrata Charles Rangel, que chefiará o Comitê do Orçamento. Horas depois, seria rebatido pela futura presidente da Casa, Nancy Pelosi. Segundo pesquisas de opinião recentes, o serviço militar obrigatório é rejeitado por 70% dos norte-americanos.

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Saídas em estudo

OS NÚMEROS

• 141 mil - total aproximado de soldados norte-americanos no Iraque hoje

• 2.836 - soldados mortos em combate, fogo amigo ou acidentes no Iraque desde a invasão, em março de 2003

• 57 mil - novos soldados a ser enviados em 2007, que irão substituir cerca de um terço dos atuais

AS PROPOSTAS

Segundo oficiais ouvidos pelo “Washington Post”, o Pentágono avalia três hipóteses:

“GO BIG” - aumentar significativamente o número de tropas para conter a insurgência, como defende o senador e presidenciável republicano John McCain

“GO HOME” - reduzir o número de tropas e sair do país entre 4 e 6 meses, como pede o senador democrata Carl Levin, futuro chefe do Comitê das Forças Armadas

“GO LONG” - aumentar no curto prazo o efetivo em 20 mil soldados e depois reduzi-lo paulatinamente para 60 mil, que seriam mantidos no país por anos, como quer o general John Abizaid, comandante militar dos EUA no Oriente Médio

• Além disso, o deputado democrata Charles Rangel sugere REINSTALAR O RECRUTAMENTO MILITAR OBRIGATÓRIO

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