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Dr. Automóvel: Conhecendo mais os tipos de óleos

Consultor: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Há várias semana comentamos sobre o tema lubrificação em geral. Mas hoje vamos nos aprofundar um pouco mais nos tipos de óleos, mais especificamente nos lubrificantes.

Todo motor requer óleo de lubrificação, mas cada um especifica um tipo ou classificação diferente, adequada para seu projeto. Da mesma forma, nem todos os motores requerem óleos sintéticos ou semi-sintéticos. A maioria dos motores de carros de passeio usa óleo mineral comum, com as mais altas classificações disponíveis. Isto quer dizer o seguinte: óleos mais antigos eram desenvolvidos para atender aos requisitos dos motores da época. Com o aperfeiçoamento e evolução da tecnologia dos motores, os óleos tiveram que se adequar aos novos requisitos técnicos.

Por isso, a classificação mais comum entre nós, a American Petroleum Institute (API), chamava cada série em ordem crescente, como SA, SB, SC e assim por diante. Hoje esta classificação está em SM, tal o grau de evolução sofrida. Como regra na hora da troca, deve-se usar sempre um óleo de classificação igual ou superior ao especificado para aquele motor, nunca inferior.

Por exemplo, em um motor mais antigo, cuja classificação de óleo seja SJ, pode-se usar na troca um óleo SL, mas não um SD. Isto devido aos aditivos incorporados à sua composição, que podem interagir de forma errada com os materiais usados nos componentes do motor ou na sua efetiva lubrificação.

Já os motores de alto desempenho, cuja lubrificação requeira óleos mais elaborados, exigem óleos sintéticos e semi-sintéticos. Os sintéticos puros são bem mais caros, pois são compostos de materiais mais nobres e leves, menos poluentes quando queimados e mais resistentes ao desgaste, pressão e temperatura excessivos. Geralmente, apenas os carros esportes de alto desempenho os utilizam. Nestes veículos, é proibido o uso de óleos minerais comuns, por mais alta que seja sua classificação, pois estes não atenderiam os requisitos técnicos necessários.

E se, ao contrário, usássemos um óleo sintético em um motor comum, teríamos problemas? Absolutamente nenhum, a não ser no bolso. Exatamente como nós, os motores se dão bem com produtos finos, de grife. Mas isto não os torna melhores nem mais refinados por causa disso. O motor apenas trabalhará tão bem com um óleo superior quanto trabalharia com o seu próprio óleo especificado. Portanto, estamos apenas jogando dinheiro fora.

Outra característica importante dos óleos lubrificantes: sua viscosidade. Todo óleo se diferencia pela viscosidade e, quanto maior ela seja, mais grosso e pastoso ele fica. Motores antigos usavam óleos de viscosidade única, geralmente SAE 30, enquanto novos. Motores modernos há muito já usam os chamados multiviscosos, que atendem a diversas faixas de viscosidade em função da temperatura.

Por exemplo, um óleo de classificação 15W50 significa que ele tem viscosidade baixa (o número 15 representa o grau de fluidez) para baixas temperaturas (de onde o W significa “winter”, ou inverno em inglês), enquanto que o segundo número representa o grau de fluidez para altas temperaturas. Isto significa que o motor estará trabalhando e sendo lubrificado nas condições ideais, independentemente da temperatura.

Os aditivos adicionados aos óleos chegam a 15% do total em um óleo mineral, enquanto que nos sintéticos puros chegam a 25%. Os semi-sintéticos têm composição média de 80% de óleo mineral e 20% de sintético. Os aditivos têm características detergentes para limpeza, além de serem antiespumantes, antioxidantes, antides-gastantes e de melhorarem a capacidade lubrificante. Portanto, cuidado na escolha do óleo certo na hora da troca!

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CORREIO TÉCNICO

É verdade que se não usar o catalisador o motor do meu carro pode fundir? Giselle Silva, Bauru (SP)

Não. O catalisador foi dimensionado para iniciar uma reação catalítica nos gases queimados, evitando a saída de gases e partículas poluentes. Se o retirarmos, os gases sairão com mais facilidade, porém a sonda lambda (que faz a medição do teor de oxigênio nos gases) fará leituras erradas, desregulando o motor. Este ficará instável, gastará mais e poderá entrar em modo de emergência, mas dificilmente fundirá apenas por isso. Se o motor estiver em muito mau estado, com certeza isto sim poderá agravar a situação.

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Sugestões para a coluna e perguntas à seção Correio Técnico devem ser enviadas ao e-mail automerc@jcnet.com.br ou à redação do Jornal da Cidade, na rua Xingu, 4-44, Higienópolis. É obrigatório informar nome completo, RG, endereço e contato (telefone ou e-mail).

* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e assina uma coluna na revista Quatro Rodas Nitro. Seu site é www.marcoscamerini.

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