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Adolescente mata socialite no Rio

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Rio - Um adolescente de 17 anos confessou, segundo a polícia, ter matado a socialite Ana Cristina Giannini Johannpeter, 58 anos, anteontem à noite, durante uma tentativa de assalto no Leblon (bairro nobre da zona sul do Rio de Janeiro).

Ana Cristina é ex-mulher de Germano Gerdau Johannpeter, vice-presidente do Conselho Administrativo e irmão do presidente do grupo Gerdau - uma das 15 maiores siderúrgicas do mundo -, Jorge Gerdau Johannpeter. Tinha três filhas e três netos. Ela foi cremada ontem.

O adolescente foi preso no final da manhã de ontem na Cruzada São Sebastião, conjunto habitacional favelizado no Leblon. No local, a polícia encontrou um revólver, com uma cápsula deflagrada. O crime aconteceu a poucas quadras da Cruzada, por volta das 20h. O local está a dois quarteirões de três delegacias, a Delegacia Anti-Seqüestro (DAS), 14.ª DP (delegacia da área) e Delegacia Especial de Atendimento ao Turista (Deat).

Ana Cristina dirigia seu Mercedes ML 500 e estava acompanhada da filha mais nova, Manuela, 21 anos. As duas tinham saído do Grappa, restaurante de Fernanda, 31 anos, uma das filhas de Ana Cristina, em Ipanema, e seguiam para casa, também no Leblon. Fernanda estava nos Estados Unidos e retornou ontem das férias. Segundo o depoimento de Manuela, a mãe estava com o vidro aberto porque queria fumar. Ela contou que Ana Cristina não reagiu ao ser abordada pelos assaltantes, que usavam bicicletas, mas teve dificuldades de tirar o relógio, o que teria deixado o assaltante nervoso.

No depoimento, Manuela conta que a mãe pedia “calma” e afirmava que entregaria tudo. No início da noite de ontem, ela voltou à delegacia para reconhecer o adolescente preso, o que não havia acontecido até o início da noite. O tiro entrou na altura do nariz e saiu na parte de trás da cabeça de Ana Cristina, que chegou a ser atendida no Hospital Miguel Couto, mas não resistiu aos ferimentos.

Duas operações policiais foram montadas, uma durante a madrugada e outra pela manhã, para encontrar os autores do crime, identificados como dois adolescentes de 17 anos e Marcelo Melo Valério, o Bina, 21 anos. Até a conclusão desta edição apenas o adolescente que confessou o crime estava preso. Segundo a polícia, ele havia sido preso há cerca de 40 dias por roubo, mas liberado 20 dias depois.

O outro adolescente procurado tem em sua ficha seis passagens pela polícia. Bina foi preso cinco vezes. O delegado José Alberto Pires Lage, responsável pela investigação, disse considerar o caso solucionado. Na delegacia, o adolescente disse que o disparo foi acidental e que estava “apavorado” na hora do assalto.

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Alegria era marca pessoal

Rio - Atlética, engraçada e expansiva. Assim Ana Cristina Johannpeter foi descrita pelas amigas que estiveram em seu velório, no cemitério da Ordem Terceira do Carmo (zona norte).

Apesar de se assustar com os tiroteios do morro do Vidigal, que ouvia do apartamento onde morava, no Leblon, não gostava de andar com seguranças. Ana Cristina deixa as filhas: Germana, 33 anos, e Fernanda, 31 anos, do casamento com Germano Johannpeter e Manuela, filha do empresário Mário Pacheco.

“A lei precisa mudar. Não é possível que um adolescente de 16 ou 17 anos não possa ser condenado por assassinato”, disse a presidente da ONG Instituto Diálogo Euro Brasil, a francesa Marie Anick Mercier, cuja filha é amiga de Manuela. Também amiga de Manuela, a cantora Preta Gil, filha do ministro Gilberto Gil, disse que “um dos maiores problemas do país é a falta de oportunidade para jovens, que acabam entrando no crime e tiram a vida de uma mulher tão alegre como ela.”

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