Brasília - O Palácio do Planalto trabalha para tirar o deputado cassado Roberto Jefferson (RJ) do comando do PTB e conseguir, assim, a entrada do partido no “governo de coalizão” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na reunião com a bancada do partido no Palácio do Planalto, vários parlamentares criticaram Jefferson e lamentaram sua permanência na presidência do PTB, o que impede uma aliança formal, uma vez que o deputado cassado é adversário ferrenho do petista.
De acordo com assessores do Planalto, Lula já se definiu pela permanência do único ministro que o PTB tem no governo atualmente, Walfrido Mares Guia, do Turismo. A decisão está restrita a um pequeno grupo porque o governo avalia que, sem espaço garantido no governo, há mais meios de pressionar Jefferson a sair da presidência do PTB.
Dessa maneira, o governo petista deixa implícito que, se Jefferson sair, o partido pode ingressar na base e, assim, obter um espaço coerente com o apoio de sua bancada -nas últimas semanas, mais de 90% dos congressistas do PTB votaram com o governo. Depois da reunião de anteontem no Palácio, em que participaram cerca de 20 congressistas do partido, Lula, e o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, o líder do PTB, José Múcio, disse que o partido foi levar um “abraço de solidariedade” ao presidente.
Diferentemente do que aconteceu com o PMDB, que recebeu um documento da “agenda mínima de coalizão” do governo, o PTB levou todo seu apoio, mas não recebeu o convite. Tanto Múcio quanto Tarso negam que Jefferson seja um entrave para o acordo. “Roberto (Jefferson) é um homem largo, tem amor pelo País, responsabilidade política com a sociedade, com o país. Passou por dificuldades, é o presidente do nosso partido, e tem consciência da nossa responsabilidade nesse momento”, disse o líder do PTB. A reportagem não conseguiu localizar Jefferson ontem. Para Tarso, o partido só não foi convidado, apesar da fidelidade nas votações, porque não tem uma posição oficial de adesão.
“Eles não apresentaram uma posição oficial do partido, nem sinalizaram que vá haver ou não. Por isso não foram convidados a integrar a coalizão”, explicou o ministro. Como todos os partidos que têm se reunido com Lula, Múcio ressaltou que o partido nem tocou no assunto de cargos no governo durante a reunião. “Seria deselegante se viéssemos aqui trazer nosso apoio e pleiteássemos alguma coisa. A idéia do partido, aprovada por unanimidade, é apoiar o governo sem pedir absolutamente nada. Nós apoiamos seus projetos, seu programa de governo”, afirmou Múcio.
Ontem, o presidente do PV, José Luiz Pena, também discutiu a adesão do partido à base na Câmara em conversa com Tarso desde que o governo incorpore sugestões da sigla na área ambiental. O PV elegeu 13 deputados.