Uma análise dos resultados da Prova Brasil do ano passado não evidencia apenas os males do ensino público. Os dados mostram também que muitos trabalhos de qualidade vêm sendo desenvolvidos nas escolas municipais de ensino fundamental (Emefs) de Bauru - mesmo nas instituições que alcançaram notas baixas no exame, mas sobretudo nas que atingiram boas notas na avaliação.
Na Emef “Santa Maria”, por exemplo, os alunos têm diversos tipos de atividades à disposição, inclusive aulas de italiano. “Isso é fruto de uma parceria, firmada há seis anos entre a Secretaria Municipal de Educação e a Sociedade Italiana Dante Alighieri, que pretendia capacitar os docentes das escolas fundamentais para o ensino do idioma”, conta o professor Nivaldo Aranda, 49 anos.
Ele e outros educadores do município participaram de um curso na entidade e ficaram capacitados a ensinar rudimentos do idioma para as crianças. “Elas aprendem o básico: palavras mais comuns, saudações, nomes de objetos”, explica Aranda, que também leciona português na escola. Atualmente, ele é o único professor da rede municipal que ainda ensina a língua européia. “Não sei bem os motivos, os outros resolveram parar com o italiano”, diz Aranda. Longe de lamentar essa exclusividade, a diretora Margareth Noemi Karz Quirino orgulha-se em poder oferecer aulas do idioma aos estudantes da escola.
Satisfeita com a realidade existente na “Santa Maria”, ela abre um largo sorriso ao comentar os resultados obtidos pela emef na Prova Brasil. “Foi um desempenho excelente”, diz, a respeito das médias superiores a 200 pontos conquistadas pela instituição. Apesar de receber alunos de diferentes níveis sócioeconômicos, Karz não tem de lidar com problemas comuns nas áreas menos favorecidas da cidade.
Entre os estudantes que freqüentam a escola as faltas são raras, assim como a evasão. “Quando uma criança começa a estudar aqui, ela costuma ir até o fim”, garante a diretora. A situação é bastante parecida à da Emef “Aníbal Difrância”, que registrou os melhores desempenhos na Prova Brasil entre as instituições de ensino de Bauru.
Situada no Parque São Geraldo (zona norte da cidade), pelas salas de aula da Emef circulam crianças de diferentes bairros da cidade, motivo pelo qual a diretora Simone Teresa Teixeira Cassitas classifica a “Aníbal Difrância” como uma instituição de perfil variado.
Problemas com faltas e evasão são quase inexistentes no local. “Quando chega a época de matrículas, praticamente todas as vagas acabam sendo preenchidas pelos alunos da própria escola. É muito difícil alguém que estuda aqui pedir transferência para outro lugar”, garante Cassitas.
Se por algum motivo extremo – quando a família se muda para outra cidade, por exemplo - a troca tem de ser feita, as crianças não são capazes de esconder a decepção. No próximo ano, por exemplo, a adolescente Débora Fassina Castilho, 13 anos, terá de cursar a 8.a série em Piratininga (11 quilômetros de Bauru).
“Meus pais resolveram ir morar lá, então vou ter de ir junto”, lamenta. Moradora do Parque São Geraldo, a garota estuda desde a 1.a série na Emef Aníbal Difrância. Castilho sabe que provavelmente fará muitos colegas na nova escola. “Mas não será a mesma coisa, tenho certeza”, diz.