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‘Tranqüilo’ sobre dossiegate, Berzoini diz que presidirá PT

Por Felipe Neves | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - O deputado federal Ricardo Berzoini (SP) reafirmou ontem que pretende retornar em breve ao cargo de presidente nacional do PT, do qual foi obrigado a se afastar há cerca de um mês e meio por suspeita de envolvimento no dossiegate.

Em atitude desafiadora, ele disse que sua disposição de reassumir o partido não se altera com a revelação feita ontem pela “Folha de S.Paulo”, de que a Polícia Federal (PF) considera que ele foi o mandante da tentativa de compra do dossiê contra tucanos. “Evidentemente eu me licenciei e só retornarei quando estiver superada essa condição (de investigado pela PF)”, disse Berzoini, na reunião do Diretório Nacional do PT, em São Paulo.

O momento exato desse retorno não está dado ainda: seria após o fim do inquérito da PF, que ele espera não seja conclusivo sobre sua participação. A exemplo do que fez anteontem, ele voltou a desqualificar a reportagem: “É uma matéria que não cita fontes nem tem aspas, portanto pressupõe que quem tem que demonstrar se isso é verdade ou não ou é a PF ou é o jornal”.

Segundo Berzoini, seu advogado, Fernando Tiburcio, telefonou anteontem ao delegado que preside o inquérito, Diogenes Curado, e teria obtido dele a garantia de que a reportagem seria inverídica: “Estou absolutamente tranqüilo com relação a esse episódio.

Desde o começo declaro com tranqüilidade a minha total isenção em relação a isso. E quero aguardar, também com tranqüilidade, o final das apurações”. Ele disse ainda que analisa se há "condições jurídicas de processar o jornal". Mesmo aliados próximos de Berzoini na direção do partido admitem a dificuldade que ele terá para voltar à presidência.

Publicamente, as opiniões se dividem: “Berzoini foi eleito pelo voto direto dos filiados. Nós não iremos tomar nenhuma medida enquanto as investigações não forem concluídas e ele possa retornar ao cargo”, disse a senadora Ideli Salvatti. Outros não contêm o mal-estar. “Não tem condição de Berzoini retornar”, disse Roque Zimmerman: “Perdi a eleição por causa dessa confusão”.

Na sexta, já ciente do conteúdo da reportagem da “Folha”, Berzoini abortou operação de seus aliados de iniciar um movimento para que ele voltasse imediatamente ao cargo.

Ficção

O presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia, tentou ontem desqualificar as denúncias contra o deputado federal Ricardo Berzoini, que está licenciado da presidência do partido desde que estourou o escândalo da compra de um dossiê contra políticos tucanos.

De forma irônica, Garcia chamou a matéria de uma “obra de ficção” e lembrou que o advogado de Berzoini, Fernando Tiburcio, disse que a própria PF negou a existência do relatório citado.

“Estas denúncias, inclusive, foram desqualificadas até por parte dos supostos denunciantes. Eu acho que domingo é um dia propício para ficção, então é normal que apareçam algumas obras de ficção na imprensa”, disse ao término da reunião do Diretório Nacional do PT, em São Paulo.

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