São Paulo - A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) disse que o crescimento do Produto Interno Brasileiro (PIB) brasileiro só superará a casa dos 3% em 2008, quando deverá chegar a 4% - número aquém dos 5% prometidos pelo governo Lula a partir do ano que vem.
A organização também reduziu suas previsões de crescimento do País para este ano e para o próximo. Agora, ela projeta um crescimento de 3,1% em 2006 e 3,8% em 2007. Em documento apresentado há seis meses, o órgão acreditava em uma expansão de 3,8% e 4%, respectivamente. Assim, o Brasil deverá ter um crescimento similar ao do México nos próximos dois anos. Apesar da redução na previsão de crescimento, a OCDE aponta sinais positivos na economia brasileira.
Para a entidade, a atividade está mostrando sinais de recuperação, depois de uma queda no segundo trimestre, o consumo privado continua forte e o investimento deve se recuperar.
Na semana passada, o organismo afirmou que, para acelerar o ritmo de crescimento, o país precisa melhorar a qualidade do ajuste fiscal, o aumento do investimento em inovação no setor privado e a ampliação do emprego formal.
A nota positiva do documento apresentado ontem é que o Brasil é o único integrante dos Brics (grupo que também inclui Rússia, China e Índia) que não apresentará queda no crescimento do PIB em 2007 na comparação com o ano anterior. Porém, a previsão para o Brasil fica distante da dos outros três emergentes. Para a China, a OCDE projeta uma expansão de 10,3%. No caso da Índia, a estimativa é que ela será de 7,5%. A previsão para a Rússia é a mais modesta, crescimento de 6% em 2007.
Zona do euro
A atual tendência de desaquecimento econômico dos EUA não afetará o ritmo do crescimento na zona do euro, informou ontem a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico.
Segundo a organização, a economia americana deverá crescer 3,3% neste ano e 2,4% em 2007 - menos que as previsões divulgadas em maio, 3,6% e 3,1% respectivamente. Já a zona do euro - Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Irlanda, Itália, Luxemburgo e Portugal (a Eslovênia deve passar a utilizar a moeda comum européia a partir de 1 de janeiro de de 2007) - terá um crescimento de 2,6% neste ano e de 2,2% em 2007 (as estimativas anteriores eram de 2,2% e 2,1% respectivamente).
A organização avalia que, apesar do desaquecimento no setor imobiliário americano, os demais setores da economia permanecem sólidos, e que o desaquecimento permanecerá “contido”. Além disso, o Federal Reserve (Fed, o BC americano) deverá cortar - e não elevar- sua taxa de juros e o desemprego deverá crescer à medida em que a produção desacelerar. Já o Banco Central Europeu (BCE) deverá elevar seus juros para 3,75% em 2007, devido à crescente demanda doméstica e à diminuição do desemprego.