Tribuna do Leitor

Ao sr. Zarcillo Barbosa


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Reportando-me à entrevista concedida pelo senhor ao Jornal da Cidade, torna-se imprescindível tecer algumas considerações. Na oportunidade, declarou de forma incisiva que o objetivo primordial a nortear as atividades do jornalismo era em nome e bem-estar do povo. No entanto, tal assertiva não encontra respaldo nos artigos de sua lavra. Inobstante caracterizados por palavras rebuscadas, alusões às figuras célebres ou evocações às personagens mitológicas, pecam pelo desapercebimento de conteúdo prático. Ao nosso ver, a essência do jornalismo, para se tornar, de fato, a voz do povo, emerge na percuciência e no eterno perscrutar de circunstâncias que se afigurem capazes de desequilibrar ou toldar a normalidade, propagando-as, através da linguagem falada e escrita.

O sacerdócio do jornalista, destarte, consiste na busca diuturna da evidenciação de fatos que assolam a população, conclamando providências para a pertinente solução. Talvez o senhor não saiba, Bauru se prepara para ser novamente referência no tocante à incidência de leishmaniose. Mais uma vez será laureado o conhecido e nefasto binômio: ineficiência do poder público + desleixo dos moradores. Ao jornalista não passaria despercebida a trajetória inútil dos agentes públicos que insistem em metodologia infrutífera, posto que o descalabro infeccioso já se apresenta incontrolável. Ao invés de combater o mosquito palha cuidam tão somente de exterminar os cães, que nada mais são que vítimas do aludido inseto.

Daí cabe uma indagação: tantos animais sacrificados como se explicam os índices alarmantes na ocorrência de leishmaniose humana? Urge os expertos aprenderem outra sistemática que realmente traga resultados. Contudo, forçoso reconhecer que apenas na matança dos cães é que demonstram mórbida competência, utilizando, como a querer justificar o injustificável, a repugnante denominação “eutanásia humanitária”, observando-se que quanto mais matam cães, mais evidente se mostra a incapacidade.

Qualquer jornalista não se intimidaria em ressaltar o descaso dos Poderes Executivo e Legislativo, como também o silêncio do Ministério Público, em relação à mazela. Uma vez relatadas as apreciações, fácil concluir-se do abismo que separa o teor de seus artigos e a mensagem que qualquer jornalista, atento aos problemas, poderia escrever. Ao condor, não se admite vôo rasteiro e curto como o da codorna. Daí, senhor Zarcillo, que sua inspiração, que indubitavelmente, erudita e desmedida, tenha o condão de exortar às autoridades, os universitários, mormente os que cursam jornalismo e veterinária, para que, juntamente com a população, desenvolvam medidas que surtam efeitos, para que a cidade sem limites não possa ser novamente lembrada pelo estigma da vergonha.

Antonino Saes - RG 7.604.267 - Pirajuí

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