A situação dos Bancos de Sangue é considerada grave, segundo divulgado pela mídia. A diferença é que esta não é a primeira, segunda, nem terceira vez que isto ocorre... Doar sangue, hoje em dia, além de uma prática solidária de altíssimo “valor humano agregado”, é um procedimento seguro, bem assistido e que fornece, em contrapartida, inúmeros exames preventivos gratuitos. Em suma, faz bem ao corpo e à alma! E digo isso na condição de doador regular, que ao ser recepcionado no Banco de Sangue precisa confirmar seus dados cadastrais. Presumo que todos os Bancos de Sangue possuem cadastro de doadores voluntários, que se propõe a “repor estoques” independentemente de ordens militares, abonos de faltas trabalhistas, ou situações emergenciais, familiares ou de amigos. Então, qual é a utilidade prática desse cadastro, afora permitir a identificação do indivíduo e impressão de etiquetas para os exames?
Certa vez, perguntei a uma atendente do Banco de Sangue onde dôo por que não contatavam diretamente os doadores, já que o cadastro possui informações como: telefone, endereço, tipo sanguíneo, idade e histórico de doações; afinal, quem conhece Banco de Dados Digital sabe que essas informações, cruzadas, permitem a seleção, simples e rápida, do pessoal apto a doar. A resposta foi que não havia esse tipo de orientação operacional! Não seria mais objetivo se, em vez de distribuir brindes ou fazer campanhas de doação - que, pelo jeito, têm efeito transitório - os Bancos de Sangue firmassem convênios com as concessionárias de serviços de telefônicos, e obtivessem linhas gratuitas (“vermelhas”, como o sangue) para contatar os doadores aptos? Se hoje recebemos tantos telefonemas pedindo apoio - entenda-se, dinheiro - para campanhas de solidariedade e instituições benemerentes, que sequer sabemos se realmente existem ou se os recursos são aplicados de forma idônea -, creio que não haveria nenhum constrangimento nesse tipo de contato, que funcionaria como um lembrete, pois as preocupações cotidianas podem nos fazer esquecer desse compromisso.
As campanhas de doação podem - e devem - continuar, mas com o objetivo preferencial não de “apagar incêndios”, mas de aumentar o cadastro de doadores voluntários. Isso é importante para o próximo, mas também para nós mesmos, e para nossos parentes e amigos. Ninguém sabe o dia de amanhã... Espero que os responsáveis reflitam sobre essa possibilidade que, além de representar baixo custo, tende a apresentar resultados mais rápidos e constantes. Independentemente disso, é sempre bom lembrar que a doação de sangue deve ser um ato voluntário, de amor ao semelhante, e de celebração e respeito à vida que Deus nos dá, e que flui em nossas artérias e veias através dele! E apesar de tanta importância, doar sangue não custa, e nem se perde, pois a própria natureza se encarrega de repô-lo. Contudo, esse simples ato pode salvar uma vida. E isto não tem preço!
O autor, Adilson Luiz Gonçalves, é escritor, engenheiro e prof. universitário