Ao pintar o País em sua “Aquarela Brasileira”, em 1939, o compositor Ary Barroso decretou: o Brasil é a terra do samba e do pandeiro. No ano seguinte, quando o autor da animada profecia colocou os pés pela primeira vez na capital baiana, criou-se o Dia Nacional do Samba, comemorado hoje. A data deve ganhar mais confete e serpentina caso o ritmo seja considerado oficialmente Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.
Enquanto isso não acontece, o batuque continua animando churrascos e feijoadas e colocando o pessoal para sambar noite adentro. Em Bauru, pelo menos, a data não passará em branco. Nesta noite, a Cachaçaria Paulista convida a todos para a roda de samba com os grupos Tudo de Bom e Sempre Mais, às 23h. Nos intervalos, o samba ou os seus gêneros cede espaço para o set list do DJ Silvinho.
Mesmo senhor de idade, foi o samba que agitou a movimentação da casa. Com capacidade para 1,5 mil pessoas, a Cachaçaria multiplicou seu público ao incrementar a programação com rodas de samba há cerca de um ano e meio. “Quando tem roda de samba, o local recebe em média 700 freqüentadores. Tanto é que passamos a promover o evento duas vezes por semana, às sextas e aos domingos”, diz o proprietário, Rogério Souto.
Excepcionalmente neste final de semana, a casa não abrirá no domingo. Antes que o público arremesse pandeiros, o proprietário justifica: “A cidade receberá um grande grupo de pagode no dia. Então, preferimos não abrir”, afirma. Souto se refere à Turma do Pagode que se apresenta na Catedral amanhã, às 20h.
A Cachaçaria Paulista fica na rua Antônio Alves, 19-39. Mais informações: (14) 9795-5606. A Catedral está localizada na rua Azarias Leite, 9-38. Mais informações: (14) 3227-2213.
Samba na intimidade
Amanhã é dia de arrastar os móveis da casa e aumentar o som do rádio. A emissora Unesp FM, sintonizada em 105,7 MHz, transmite das 12h às 14h o programa semanal “Batuque na Cozinha”, que abrange todas as vertentes de samba, desde os mais tradicionais até o pagode.
Em seguida, o programa “Áfrico” tratará exclusivamente do samba. As histórias da origem e dos grandes compositores do ritmo serão exemplificadas com música. “O programa é ligado ao negro e, nesta data, eu sempre abordo o samba. É uma forma de homenagear um ritmo que está prestes a se tornar patrimônio cultural imaterial do Brasil, mas que infelizmente muitas rádios esquecem”, diz o produtor e locutor Sylvestre Oliveira.
A rádio 96 FM também prestará uma homenagem ao samba no semanal “Mais Brasil”. A produção, transmitida às 11h de amanhã, terá a programação exclusivamente dedicada à MPB, com sambas históricos.