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Super Parada do JC reúne 400 veículos

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 5 min

Uma multidão parou, na manhã de ontem, para acompanhar a chegada do Papai Noel a Bauru. Marcada por momentos de emoção e irreverência, a Super Parada de Natal do Jornal da Cidade reuniu cerca de 400 veículos, segundo estimativas dos organizadores, e ainda arrecadou, aproximadamente, uma tonelada de alimentos que serão doados a entidades assistenciais do município.

O evento, realizado pelo quarto ano consecutivo, abriu oficialmente a campanha “Natal Tamanho Família”, iniciativa do JC em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Rádio 96 FM e Prefeitura Municipal.

Organizadores comemoraram o sucesso da parada. A jornalista Mila Fabris, da agência Image Maker, acredita que a edição deste ano foi maior que a anterior em número de participantes. “A festa foi além das nossas expectativas. Tenho certeza de que havia muito mais carros do que no passado”, garantia.

Sônia Franciscato Braga, diretora do Grupo Prata, era outra que se mostrava satisfeita. “Esta festa é uma homenagem à população de Bauru e região.” Ao lado da antiga jardineira - que, por sinal, conduziu o “Bom Velhinho” durante o cortejo -, ela não escondia o orgulho: afinal, o velho Chevrolet foi uma das principais atrações do desfile.

“Na verdade, o mais importante foi o lado da responsabilidade social, com a arrecadação de todos esses alimentos para as entidades”, afirmou. A opinião de Braga foi compartilhada pelo diretor do Senai de Bauru e Lençóis Paulista, Reinaldo Munhoz. “Mais uma vez conseguimos resgatar o espírito natalino nas pessoas.”

Na visão dele, eventos como a Super Parada ajudam a trazer de volta a consciência da população. “Toda a festa foi organizada por gente comum, que se reuniu e somou esforços para que tudo saísse da melhor forma possível. Isso não tem outro nome, senão cidadania”, pensa Munhoz, que inclusive, atribuiu ao desfile o sugestivo apelido de “Desperta Bauru”.

Para Renato Zaiden, diretor do Grupo Cidade, a festa já se tornou uma atração turística de Bauru. “Este ano a parada foi bem maior do que no ano passado. Isso prova que a promoção já consolidou junto ao público”, diz.

Idealizador do evento e da Promoção “Natal Tamanho Família” - que terá continuidade hoje, a partir das 20h, com a inauguração da Casinha do Papai Noel na Praça Portugal -, ele afirma já ter idéias em mente para tornar o evento ainda maior no futuro. “Mas isso ainda é uma surpresa. Se Deus quiser, ano que vem colocaremos todas essas novidades em prática”, diz.

A parada

De fato, há tempos a cidade não amanhecia tão festiva. O céu sem nuvens colaborou para dar mais colorido ao evento. A parada começou por volta das 9h40, quando a banda do Senai executou uma versão da música “Crazy Train”, de Ozzy Osborne - o encerramento ocorreu na Praça Rui Barbosa, às 11h30, após o Papai Noel percorrer a pé todo o Calçadão da Batista de Carvalho.

Ecléticos, os músicos do Senai tocaram, logo em seguida, “Twist ando shout”, canção popularizada pelo grupo inglês The Beatles. A variedade musical, por sinal, foi uma das marcas do desfile. No carro de som do Colégio Fênix, por exemplo, rolou de tudo: pagode, axé, rock brasileiro. Já na carruagem do Senai, a trilha sonora era a tradicional “Jingle Bells Rock”, na voz de Frank Sinatra, adotada como uma espécie de hino oficial da Super Parada.

Não faltaram tipos irreverentes no cortejo iniciado na avenida Getúlio Vargas, ao lado da pista do Aeroclube. O motociclista Leandro “Pit bull” Sipriano, que usava uma estranha máscara, foi um dos que mais chamaram a atenção do público.

“Isso aqui está ótimo. Deveria ter mais vezes durante o ano”, sugeriu. Como não poderia deixar de ocorrer em um festejo natalino, a Super Parada foi quase que invadida por “Papais Noéis”. Um deles era o professor de português Alexandre Benegas, do Colégio Fênix.

Trajando os conhecidos casaco e gorro vermelhos, ele distribuía balas aos motoristas que circulavam pelo local e arrogava para si o título de “Bom Velhinho” oficial. “Eu sou o verdadeiro, os outros são de mentirinha”, brincava.

Crianças pareciam concordar com o professor. A baliza-mirim do Senai, Lívia Lima de Naide, 5 anos, olhava para Benegas de modo extasiado. As irmãs Maria Eduarda Castro, 4 anos, e Ana Laura, 1 ano e 11 meses, também mostravam-se encantadas. Mesmo adultos, como a fisioterapeuta Valeska de Faria Castro, 30 anos, mãe das garotas, divertiram-se na parada. “O dia-a-dia da cidade tem muitos problemas e a época de Natal representa uma espécie de alívio para todos nós”, acredita.

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Folga

Além de despertar o espírito natalino na população, a Super Parada do Jornal da Cidade alterou a rotina de Bauru. Gente que trabalhava, comprava ou simplesmente caminhava, para acompanhar o evento. O pedreiro Antônio Rodrigues da Silva rebocava um muro na avenida Getúlio Vargas, quando foi surpreendido pelos acordes de “Jingle Bells Rock” e pelo buzinaço dos veículos que desfilavam. “É uma coisa linda”, disse.

Sem remorsos, ele permaneceu parado durante alguns minutos, com olhos atentos ao evento. Fátima Montovani, dona de um restaurante localizado na avenida Getúlio Vargas, resolveu dar uma pequena folga aos cozinheiros, para que eles pudessem acompanhar a Super Parada. “Hoje o almoço vai sair um pouco atrasado, mas vale a pena prestigiar essa festa linda”, afirmou.

Acostumada à rigidez da vida religiosa, irmã Geni da Silva acompanhava o desfile com um grande sorriso no rosto. “Natal é uma época de fraternidade, e a parada resgata esse espírito de participação social e cristã”, diz ela, que também é supervisora da TV USC.

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