Beirute - Milhares de partidários da milícia xiita Hizbollah acamparam em barracas montadas no Centro de Beirute ontem para exigir a renúncia do governo do premiê Fuad Siniora. Membros do Hizbollah afirmam que a campanha - que causou transtornos ao distrito comercial de Beirute - não irá cessar até que seja formado um governo de união nacional.
O governo libanês, no entanto, não dá sinais de que irá ceder, causando uma crise que ameaça dividir o país. Até o fechamento desta edição, os protestos nas ruas eram pacíficos. Após as manifestações, participantes armaram centenas de barracas - algumas delas a apenas 50 metros do escritório de Siniora.
Segundo a TV libanesa Al Manar, cerca de 500 barracas foram armadas no Centro da Capital. Ontem, manifestantes distribuíam água, café e sanduíches aos que acampam no local. Alguns se deitaram na grama enquanto as barracas continuavam montadas sob o forte sol.
Os protestos de anteontem foram o início de uma anunciada campanha de protestos do Hizbollah, cujos aliados exigem um terço das cadeiras do Parlamento libanês - número suficiente para vetar decisões.
O grupo cita a Constituição libanesa, que prevê que todos os grupos religiosos devem ter representação no país, para justificar a exigência. Nos últimos dias, o Líbano vem enfrentando uma perigosa disputa por poder. Siniora e seus aliados afirmam estar dispostos a fazer com que o Hizbollah abandone as manifestações.
Os protestos visam a paralisar o país e Siniora a renunciar e formar um novo governo. A atual administração é apoiada por muçulmanos sunitas e cristãos, enquanto o Hizbollah é apoiado por xiitas. Os Estados Unidos expressaram preocupação com a atual crise.
“Estamos preocupados com a possibilidade de o Hizbollah, com o apoio do Irã e da Síria, continue a desestabilizar o Líbano”, disse o porta-voz do Departamento de Estado americano, Tom Casey. Segundo ele, as demonstrações visam a “derrubar o governo libanês eleito democraticamente”.