Santiago - Enquanto os médicos reafirmavam ontem que o ex-ditador Augusto Pinochet, 91 anos, permanecia em “estado crítico”, embora o risco de morte houvesse diminuído, o foco de interesse se deslocou, no Chile, para o tipo de homenagem a que ele teria direito em seus funerais.
O porta-voz da Presidência, Ricardo Lagos Weber, afirmou ontem “ser de mau gosto pronunciar-se sobre essa eventualidade, a respeito de pessoas que ainda estão vivas”. Mas o jornal “El Mercúrio” disse que a presidente socialista Michelle Bachelet reuniu anteontem à noite seu conselho político para encontrar uma fórmula que não a obrigasse a comparecer ao velório e a decretar luto oficial por três dias.
Por enquanto, diz a versão online de outro jornal, o “La Tercera”, Bachelet está disposta a não promover “funerais de Estado”. Mas determinará que o Exército assuma as cerimônias fúnebres do ex-ditador, que governou o Chile de 1973 a 1990, já que ele também foi o seu comandante supremo.
Com essa solução, a representante do governo no velório passaria a ser a ministra da Defesa, Vivianne Blanlot. Ela se encontrava anteontem na Argentina, negociando um tratado militar, quando Pinochet sofreu infarto, foi submetido a uma angioplastia e não chegou a ser safenado, solução necessária, mas descartada pelos médicos em razão dos riscos que o paciente correria.
O ex-ditador, além da idade avançada, sofre de diabetes e tem problemas de irrigação cerebral - que levaram seus advogados de defesa a alegar que o general sofre de demência leve para evitar que ele continuasse respondendo a um processo. O boletim médico sobre o estado de saúde de Pinochet divulgado na noite de ontem indicava melhora.
Grupos de partidários e de opositores a Augusto Pinochet, 91 anos, se enfrentaram ontem a golpes nas vizinhanças do hospital onde o ditador chileno está internado desde o domingo após sofrer um infarto. O incidente ocorreu a uns 100 metros do hospital em frente à catedral Castrense, onde foi celebrada uma missa pela saúde de Pinochet.