Tribuna do Leitor

A Bíblia e a doutoranda professora Marisa


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Desde séculos, com ênfase na Idade Média, a realeza aliada à igreja vêm fazendo a cabeça do povo que não sabe ler, não tem cultura e discernimento e se submete intelectualmente aos detentores do poder.

Já era tempo de que uma erudita, intelectual, culta e inteligente professora, do nível da professora Marisa que, por capacidade, conhecimento e vivência tem competência para se debruçar sobre os textos bíblicos, principalmente aqueles que se referem ao Velho Testamento, para trazer ao conhecimento de outros que têm discernimento próprio o que existe de absurdo nos textos analisados.

Quanta inverdade, quanto paradoxo, quanto absurdo vem sendo enfiado goela a dentro do povo crente, que acredita sem analisar.

Citando apenas alguns, por exemplo a baleia que engoliu Jonas e depois vomitou-o (talvez ele fosse indigesto), a travessia do Egito para a Terra Prometida (hoje Israel) em quarenta anos, que qualquer pessoa pode fazer mesmo andando a pé e devagarinho, em um ano, no máximo, levaram quarenta.

Mas, isso ainda é pouco, vejamos algo melhor. No segundo livro dos reis, finalzinho do segundo capítulo encontramos esta maravilha.

Falando do profeta Eliseu: “Dali subiu a Betel. Enquanto subia pelo caminho, alguns meninos saíram da cidade e se puseram a escarnecê-lo: “Vai rapado! Vai”. Voltando-se, ele os olhou e amaldiçoou em nome do Senhor. Então vieram duas ursas, que despedaçaram quarenta e dois daqueles meninos.”

Eram ursas ou dinossauros gigantes para caberem nelas quarenta e dois meninos, mesmo que sejam vinte e um em cada uma. E os meninos ficaram em fila esperando a vez de serem comidos um a um ou elas abocanharam todos de uma só vez? E que sujeito bom era esse que só pode ser chamado de careca, ele deveria mesmo sê-lo porque criança fala o que vê. E que Senhor bonzinho também era esse que amaldiçoava crianças que estavam brincando na rua.

Bom, tudo isto ainda sem falar na quase pornografia “às éguas do Faraó eu te comparo, amada minha” e “os teus seios são como duas cabritinhas selvagens” e por aí afora.

Vá em frente, professora, boa sorte, sucesso no seu corajoso empreendimento e parabéns pelo arrojo. Não se detenha porque os cães ladram. Assim mesmo a caravana passa e ninguém pode deter o alado carro do tempo, impulsionado pela razão e pelos fatos.

Isolina Bresolin Vianna - Academia Bauruense de Letras - cad. 12

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