Internacional

Grupo recomenda retirada de tropas

Folhapress
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Washington - As tropas dos Estados Unidos devem começar a retirada do campo de batalha do Iraque e Washington deve lançar uma ação diplomática e política para pôr um fim a uma crise “grave e que se deteriora” diariamente, afirmou ontem uma comissão bipartidária encarregada de analisar as opções americanas no país.

A comissão, denominada Grupo de Estudos sobre o Iraque, entregou ao presidente dos EUA, George W. Bush, um relatório com recomendações sobre a estratégia atual de guerra. Após se reunir com o grupo, Bush disse que considerará o relatório “muito seriamente”.

Apesar disso, o presidente advertiu que as conclusões da comissão - que já eram esperadas - não serão obrigatoriamente obedecidas pela Casa Branca, que também elabora suas próprias recomendações.

Segundo o relatório da comissão, o Iraque enfrenta hoje uma “situação grave e que se deteriora” rapidamente. “Não há fórmula mágica para resolver o problema do Iraque”. A recomendação mais importante do relatório é, segundo o grupo, “o pedido de um novo e ampliado esforço político e diplomático no Iraque e na região, e a mudança da missão essencial das forças americanas no país para permitir que os EUA retirem suas tropas com responsabilidade”.

Mais de três anos e meio depois da invasão, em março de 2003, cerca de 140 mil soldados americanos permanecem no Iraque para lutar contra insurgentes e tentar controlar a crescente violência sectária que assola o país.

O relatório também sugere que os EUA negociem a entrada do Irã e da Síria no esforço para estabilizar o Iraque, apesar de oficiais americanos acusarem os dois países de fomentarem a violência entre xiitas e sunitas. Por enquanto, a Casa Branca rejeita a cooperação com esses países.

“Esse relatório apresenta uma visão muito dura sobre a situação do Iraque”, afirmou Bush após a reunião de cerca de uma hora com o grupo bipartidário. O relatório recomenda também que o governo Bush pressione por uma “grande paz árabe-israelense”, e argumenta que os EUA não poderão atingir seus objetivos no Oriente Médio sem abordar este conflito.

O Grupo de Estudos sobre o Iraque recomendou também que os EUA acelerem o treinamento das forças iraquianas para que elas possam defender o país. Para o grupo, assim como já vem afirmando vários oficiais do Exército americano, as tropas americanas devem passar do papel de combatentes para um papel de apoio para as forças locais.

Apesar de recomendar que, dependendo das condições, já no início de 2008 será possível começar a retirar as tropas, o relatório não apresenta um cronograma fixo para a saída. O relatório afirma também que os iraquianos precisam assumir um papel maior na ação militar no país, e sugere que os EUA devem retirar seu apoio se o governo local não progredir mais eficazmente em direção a uma reconciliação entre os grupos nacionais, além de melhorar a segurança e governar melhor. “Os Estados Unidos não devem assumir um comprometimento ilimitado em manter grande número de soldados destacados no Iraque”, informa o relatório.

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Integrantes

Washington - O Grupo de Estudos sobre o Iraque é composto por cinco republicanos e cinco democratas. A comissão é liderada pelo republicano James Baker, ex-secretário de Estado e amigo da família Bush, e pelo democrata Lee Hamilton.

As recomendações feitas pelo grupo representam a maior avaliação das opções americanas no Iraque feita em conjunto pelos dois partidos. Legisladores e eleitores aguardam o relatório da comissão com ansiedade, depois que assistiram as eleições legislativas de novembro ecoarem uma clara insatisfação com a ação de Bush no Iraque.

O relatório foi apresentado logo após o provável novo secretário de Estado dos EUA, Robert Gates, ter afirmado em uma audiência no Senado ontem que é preciso uma nova abordagem no país.

Questionado sobre se os EUA estavam vencendo a guerra, Gates declarou: “Não, senhor”. Foi uma admissão muito maior do que qualquer outra já feita pelo presidente americano, que disse no dia 25 de outubro acreditar que os americanos estão, sim, vencendo no Iraque.

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