Ainda no ramo automobilístico, o gerente de vendas de uma concessionária Volkswagen, Renato Tâmbara Neto, é uma das testemunhas da revolução que está em curso na economia brasileira. Segundo ele, já é fato consumado a constatação de que cada vez mais a mulher é quem dá a última palavra.
“A ponto do marido ir até a concessionária comprar o carro sem a mulher e no outro dia voltar com a mulher, pedir desculpas para o vendedor e mudar o modelo e a cor do carro. Isso acontece direto”, relata o gerente.
De acordo com ele, essa mudança de comportamento começou há cerca de cinco ou seis anos. Até então, a última palavra sempre era do homem. Ao perceber isso, a concessionária passou por algumas adaptações para atender o público feminino da melhor forma possível.
A primeira mudança foi contratar mulheres para trabalhar como vendedoras. “Percebemos que algumas mulheres ficavam mais à vontade quando atendidas por vendedoras”, relembra o gerente. A segunda e principal mudança foi adaptar a linguagem usada pelos vendedores ao que realmente interessa às mulheres.
Saíram de cena as informações sobre o aro do pneu ou quantos “cavalos” tem o carro para dar lugar às informações sobre conforto. “Se você começar a falar de largura de pneu, de potência, de câmbio ou que a roda é de liga leve, ela (consumidora) vira as costas e vai embora. Ela quer saber se o porta-malas é legal e se o carro é econômico ou não”, exemplifica. “Quem não se adaptou rapidamente a isso perdeu mercado”, afirma Tâmbara.