Tribuna do Leitor

Quero estar errado


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Sou bauruense desde quando nasci, meus avós vieram com a construção da estrada de ferro. Meu pai foi um dos fundadores do Sindicato dos Ferroviários da Noroeste. Com muita luta durante o regime da ditadura militar, esses homens lutaram pela democracia e pela liberdade de expressão.

Durante muitos anos Bauru foi dominada por meia dúzia de políticos, escolhidos a dedo pelo regime, para controlar a situação política e ideológica de toda nossa região, lógico a mando dos militares que dominavam o Brasil desde o golpe de 1964.

Passaram-se muitos anos, e a ditadura foi se enfraquecendo, dando brecha a uma abertura lenta mas progressiva, até que no governo do presidente João B. Figueiredo foi dada a anistia, tantos aos políticos de esquerda como também aos militares.

Tirando a repressão política, Bauru foi privilegiada com grande desenvolvimento, em vários setores, como a criação do Distrito Industrial, firmou-se como um grande centro comercial do centro-oeste paulista, e de grandes realizações em obras de infra-estrutura em toda cidade, como a construção da avenida Nações Unidas (criada pelo nosso competentíssimo Jurandyr Bueno).

Mas o que mais me marcou, pois na época eu era um adolescente, era o Centro Cultural que Bauru possuía, com uma juventude à frente de sua época, como os alunos da extinta Fundação Educacional de Bauru, da ITE, da FOB, e de um modo geral de todos os estudantes de nossa cidade. Tempo maravilhoso onde a “balada” era ir ao Ciente, Bar Armazén, Clube dos Bancários, e na madrugada comer um lanche no Frutal Lima ou no “Jóia” na Vila Falcão. Éramos livres e jovens. Até a administração municipal era composta (independente de ideologia e o momento político que o País passava) por homens comprometidos com o crescimento de nossa cidade.

Em 1987, fui trabalhar em várias cidades durante 10 anos, onde conheci 16 cidades do Estado de SP e MG. Em todos os lugares onde eu falava que eu era de Bauru, as pessoas tinham uma visão maravilhada do progresso de nossa cidade. Depois voltei definitivamente para morar em Bauru e criar raízes. Foi quando acabou a era de ouro, após a administração do prefeito Osvaldo Sbeghen. Bauru foi caminhando para o caos, até chegar aos dias de hoje. Primeiro com a eleição do prefeito Izzo Filho, Tidei de Lima, Nilson Costa e agora com o atual. Aonde vamos parar, quando vamos eleger alguém a altura de nossa cidade? Parece que os homens de bem não querem se envolver com essa política que é um verdadeiro vale tudo.

Então vamos deixar para nossas futuras gerações um legado vergonhoso como o atual, pois estamos fazendo como os avestruzes, estamos escondendo nossas cabeças dentro do buraco. Chegou-se a um ponto que até prefeito de outras cidades estão rondando futuras candidaturas a prefeito de nossa Bauru. Pára tudo! Vamos levantar nossas cabeças, cadê nosso orgulho como bauruenses. Reage Bauru, antes que seja tarde demais.

Edson Anaia Martins

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