Tribuna do Leitor

Uma pessoa encantadora


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Há pessoas que simplesmente passam pela vida. Outras, deixam um halo de perfume para sempre. E onde quer que estejamos, estamos sempre sentindo sua passagem, seja ao ouvir o cantar de um pássaro, ao olhar para uma flor, para um pôr de sol ou até mesmo para uma criança anônima que passa. São pessoas que nunca morrem, porque as estamos sentindo sempre perto, em todos os instantes de nossa vida, onde quer que nos encontremos. São pessoas que, com seu carisma, estão sempre brilhando, como aquela rosa de Drummond, que sempre “espalha em torno uma presença luminosa”, porque mesmo em dia de chuva, uma rosa é uma rosa.

O que me move a escrever para este jornal, e especialmente para esta seção, é apenas para lembrar que ambos, o jornal e nós, seus leitores, perdemos uma colaboradora, que o Céu arrebatou para si. Refiro-me à Ezilda Napoleone Silveira, uma figurinha terna, plena de palavras tão doces quanto ela própria e que sempre enviava cartas cheias de suavidade e brandura a esta tribuna. Com seus conselhos sábios e uma disposição invejável e emblemática para colocar no papel suas emoções, ela foi espargindo anos afora opiniões amadurecidas no cadinho da experiência e do bom senso.

Geralmente, quando as pessoas nos deixam, somos acometidos por uma onda de indignação ou revolta, mas isso não está acontecendo comigo. E sei porquê. Essa pessoa linda que acaba de ficar encantada não gostaria de ver-nos infelizes ou revoltados. Por isso, estou serena e rezando por ela com o fervor de uma criança. Já estou sentindo uma tranqüila e mansa saudade, pois tenho a convicção de que ela soube plantar um canteiro imenso de boas obras, de exemplos dignificantes, de sábios e amorosos conselhos.

Estas são palavras brancas, puras, que escrevo para homenagear sua partida, palavras alvas, como sua alma que o Céu hoje acolhe num misto de festa e alegria. E se hoje, lá longe, tange um sino, não é pela morte. Há sinos que ressoam por causa de pessoas que, como Ezilda Napoleone Silveira, souberam dignificar e colorir a vida.

Dra. Maria da Glória De Rosa

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